"Pau de virar tripa" e "encher linguiça"

"Pau de virar tripa" e "encher linguiça"

27/05/2009 01h45 Publicado em 27/05/2009, às 01h45 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

"Pau de virar tripa"
Frase é inspirada na fabricação da lingüiça

Usada para descrever pessoas altas e magras, a frase surgiu de uma associação desse tipo físico com o utensílio usado para virar a tripa ao contrário, com o objetivo de fazer sua limpeza. Quando esse processo acaba, ela é recheada até se tornar lingüiça. Os paus de virar tripa chegaram ao Brasil no fim do século 19, pelas mãos dos imigrantes alemães e italianos, que trouxeram de sua pátria o costume de comer alimentos embutidos. Nesse período, existiam apenas as tripas naturais, que eram retiradas do trato intestinal de suínos, bovinos e ovinos. Depois de extraídas, elas eram limpas em água corrente e viradas ao contrário com a ajuda de pedaços compridos de madeira – normalmente, galhos finos e compridos de marmeleiro.

"Encher lingüiça"
Essa expressão também tem origem no alimento

Quando falamos ou escrevemos coisas sem importância, apenas para ocupar mais tempo ou espaço, dizemos que estamos "enchendo lingüiça". De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, essa expressão derivou de um sentido figurado. Sua origem está no processo de fabricação de lingüiças, que são feitas com diferentes tipos de carnes. Esse material é processado, unido a temperos, condimentos e gordura e depois misturado até formar uma massa uniforme. Terminado esse processo, é hora de encher lingüiça, ou seja, de colocar esse material dentro das tripas até que elas fiquem com o aspecto do alimento. Hoje em dia, o controle de qualidade é mais rigoroso, mas houve um tempo em que qualquer resto de carne e gordura servia. Daí a origem da expressão.