Da TV para as ruas: a moda das novelas

Há quatro décadas, roupas e acessórios das novelas influenciam pessoas comuns

Bianca Nunes Publicado em 01/06/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Os camelôs das maiores cidades brasileiras sabem bem: os brincos grandes e chamativos da personagem Silvia, da novela Duas Caras, da Rede Globo, são os acessórios da vez. Dora Aparecida, proprietária de uma banca no centro de São Paulo há três anos, conta que o adereço inspirado no usado pela atriz Alinne Moraes ainda é um grande sucesso de vendas. “Sempre que sai um novo tipo de colar ou de brinco, vamos atrás para fazer igual. Procuramos assistir às novelas para saber o que vai ter de novo, porque as pessoas procuram mesmo”, afirma ela. Além de caracterizar os personagens e ajudar a contar as histórias, as roupas, os cabelos, as maquiagens e os acessórios que aparecem na TV costumam ganhar as ruas e ditar moda. O interesse é tão grande que, todos os dias, a Central do Telespectador, da Rede Globo, recebe 1500 ligações de pessoas que querem saber o que precisam fazer para ficar mais parecidas com as estrelas televisivas.

Essa influência da novela no modo de vestir começou em 1970, com a introdução das séries que abordavam o cotidiano, e não apenas o passado. Antes, não era raro os atores recorrerem a seus guarda-roupas pessoais. Em Senhora, transmitida pela extinta TV Paulista em 1952, a atriz Márcia Real usou o próprio vestido de noiva na cena do casamento de sua personagem, Aurélia Camargo. “A partir da década de 1970, as novelas passaram a ditar moda”, conta o livro Entre Tramas, Rendas e Fuxicos, produzido pela Central Globo de Comunicações para contar a história dos figurinos de suas novelas.

Com o tempo, o sucesso de uma peça de roupa passou a depender também da forma como ela é apresentada. Em Água Viva, Betty Faria, que fazia a personagem Lígia, reclamou que não agüentava mais a cor roxa, freqüente nos modelitos da época. Por causa disso, o roxo encalhou nas prateleiras. Para contornar a situação, foi gravada uma nova cena, em que a personagem elogiava a cor. Nada desse alcance acontece por causa de um desfile de moda. Alexandre Herchcovitch, um dos mais prestigiados estilistas brasileiros, confessou, durante um debate no ano passado em São Paulo, que os figurinos “melhoram” a maneira de o brasileiro se vestir. “A novela é a grande revista de moda das camadas populares”, ele afirmou.

 

Todo mundo copiou

Os visuais mais marcantes lançados pela televisão

Cabelo pigmalião

Pigmalião 70 (1970) Personagem: Cristina Guimarães

Estilo: O cabelo de Tônia Carrero, repicado embaixo e volumoso em cima, ficou tão famoso que as mulheres chegavam aos salões e pediam para fazer um “corte pigmalião”.

Meias lurex

Dancin’ Days (1978)

Personagem: Julia Mattos

Estilo: Nenhuma peça jamais tinha feito tamanho sucesso no país inteiro como as meias de lurex coloridas e listradas, usadas por Sônia Braga junto com sandálias de plástico.

Brinco elétrico

Água Viva (1980)

Personagem: Sandra

Estilo: Esse folhetim trouxe vários modismos, como o biquíni asa-delta de três cores e o corte de cabelo com franja irregular. Mas o maior sucesso foi o brinco em forma de raio usado por Glória Pires.

Turbantes e brilhos

Roque Santeiro (1985)

Personagem: Viúva Porcina

Estilo: Regina Duarte popularizou turbantes, brilhos exagerados e bijuterias de cores vivas. O jeitão ajudava na disputa de poder com seu amante, Sinhozinho Malta (Lima Duarte).

Miniblusas e tamancos

Quatro por Quatro (1994)

Personagem: Babalu

Estilo: Letícia Spiller conquistou o público feminino com seu modelito de verão: saias jeans, miniblusas estilo ciganinha, tamancos de madeira e, de vez em quando, flor artificial nos cabelos.

Lenços árabes

O Clone (2001)

Personagem: Jade