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Charutos explosivos e filha rebelde: a vida de Fidel Castro em 9 fatos

Um dos líderes a passar mais tempo no poder carrega uma série de episódios excêntricos em sua trajetória pessoal

Fábio Marton Publicado em 01/01/2020, às 10h00

Fidel Castro em aparição pública
Fidel Castro em aparição pública - Divulgação

1. Elite

O revolucionário nasceu na elite: filho de europeus proprietários de terras, formado em direito. Ele começou sua carreira se filiando ao Partido Ortodoxo, em 1947. Era um partido anticorrupção - não exatamente uma causa revolucionária.

O que o empurrou para ar resistência armada foi o golpe contra o candidato de seu partido, Roberto Agramonte, dado por Fulgencio Batista em 1952.

No ano seguinte, quando Fidel tentou assaltar o quartel de Moncada, o fazia em nome da constituição de 1940 e do nacionalismo cubano - seu discurso "A história me absolverá" não faz nenhuma referência a qualquer líder socialista, mas a José Marti, o herói da independência.


2. Odiado

Antes de dar um golpe, o general Batista havia governado legitimamente entre 1940 e 1944, num mandato considerado progressista - era a constituição do mandato dele que Fidel queria resgatar.

Batista não contava com a menor simpatia do público ou imprensa dos EUA, mas era apoiado pelo governo e empresas, por conta de interesses econômicos em Cuba. O governo americano o armou com napalm e aviões.

Mas as notícias de seus ataques a civis com essas armas causaram um escândalo de opinião pública e, em março de 1958, os EUA decretaram um embargo de armas a seu governo.


3. Festa 

Com Batista completamente queimado, Fidel foi louvado na imprensa dos EUA. Em abril de 1959, ele seria recebido com festa nos EUA, posando para fotos com crianças, comendo cachorro quente e até deixando uma coroa de flores na tumba de George Washington.

Mas a coisa já começou a azedar a partir daí: não foi recebido pelo presidente Dwight Eisenhower, mas pelo vice, Richard Nixon, que ficou com a impressão que Fidel não entendia nada de comunismo - e, até então, ele não havia dado qualquer declaração nesse sentido.

Foi só em dezembro de 1961, após uma guerra diplomática e econômica, que culminou na Invasão da Baía dos Porcos, uma tentativa de golpe bancada pela CIA, que Fidel declarou a si mesmo e seu país como marxistas no estilo da União Soviética.


4. Vingança

Antonio Prohías era um quadrinista cubano que havia publicado tiras anti-Batista. Por isso, havia sido honrado pessoalmente por Fidel. Mas, ao longo de 1960, o novo governo foi estrangulando a imprensa. O cartunista foi acusado de espião da CIA.

Então Prohias decidiu fazer como grande parte da classe média e fugiu para os EUA, em 1º de maio de 1960 - três dias antes de o último jornal livre ser empastelado. A tirinha, com os dois espiões tentando se destruir mutuamente, surgiu dessa acusação. Ele dizia ser sua vingança contra Fidel. Fato de bônus: havia uma terceira espiã, a sexy cinza.


5. Quase assassinato

Fidel dizia ter sobrevivido a 638 tentativas de assassinato - "se sobreviver assassinatos fosse um esporte olímpico, eu seria medalha de ouro", afirmou.

Entre outras coisas, a CIA tentou charutos explosivos, charutos envenenados, uma caneta venenosa, uma roupa de mergulho contaminada com bactérias letais - e, na mesma viagem, uma ostra explosiva no fundo do mar.

Sem conseguir matá-lo, a CIA também tentou envenená-lo com tálio, para fazer sua barba cair, e fazê-lo tomar LSD para dar um discurso confuso.


7. 

O líder cubano era... ativo. Até onde se sabe, tem sete filhos, cinco em casamentos legítimos, dois por fora. Fidel Angel Castro Dias-Ballart, o Fidelito, era um engenheiro nuclear treinado na União Soviética. Morto em 2018, era o pai cuspido e escarrado.

Fidel já nos últimos anos de sua vida /Crédito: Getty Images

 

Alina Fernández, filha sua com uma socialite, teve uma carreira de modelo e foi escorraçada pelo pai por posar de biquíni.

Em 1993, ela fugiu Cuba e se tornou dissidente, escrevendo uma autobiografia pela qual foi processada pela família. Curiosamente, Stálin tinha uma história parecida com sua filha Svetlana.


8. Recordes cubanos

Fidel é um dos líderes que mais tempo esquentou a cadeira: 49 anos. Ele também é o recordista em discursos: primeiro, 4 horas e 29 minutos, na ONU, em 29 de setembro de 1960. Recorde batido por ele próprio em 1986, no III Congresso do Partido Comunista: 7 horas e (haja bexiga!) 10 minutos.

Mas o recorde que ninguém conhece é o da vaca mais produtiva da história: Ubre Blanca entrou no Livro Guinness dos Recordes ao produzir 109,5 litros de leite em 1982 - quatro vezes mais que o normal. Ela seria mencionada em discursos como prova da superioridade do socialismo.


9.  Adidas

Pela maior parte de sua vida, Fidel era famoso por nunca tirar o uniforme militar. Depois que ele se aposentou, em 2008, o uniforme mudou para conjuntos esportivos da Adidas.

Qual é a razão para o patrocínio da marca capitalista? Simplesmente a Adidas havia fornecido uniformes olímpicos para a equipe cubana em 2008 - o líder se serviu das sobras.