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Baco: o curioso detalhe despercebido na famosa obra de Caravaggio

O pintor italiano adicionou um detalhe interessante na sua pintura do deus grego Baco, mas que acabou se perdendo com o tempo

Caio Tortamano Publicado em 20/09/2020, às 09h00

Baco, por Caravaggio
Baco, por Caravaggio - Wikimedia Commons

Na pintura Baco (1596), do pintor renascentista e precursor do barroco, Caravaggio, um detalhe passa despercebido pela maioria das pessoas que observaram a icônica obra.

Na verdade, ninguém havia reparado numa pequena parte da obra até 1922. De acordo com o The Telegraph, um trabalho de manutenção da pintura, um restaurador italiano percebeu que havia a imagem de um homem refletida na jarra de vinho ao lado da divindade central do quadro.

Acredita-se que seja o próprio Caravaggio se inserindo como um detalhe na obra, por volta de seus 25 anos de idade. Isso porque seria possível observar essa figura de cabelos escuros e encaracolados segurando um pincel.

Mesmo assim, Baco acabou passando por restaurações de baixa qualidade, uma das quais, inclusive, sendo responsável por pintar novamente as partes escuras do quadro, descaracterizando a obra, e escondendo — novamente — a imagem do homem no decanter de vinho. 

Revelação

Em 2009, porém, especialistas utilizaram uma técnica chamada reflectografia para descobrir camadas não visíveis na pintura a olho nu. Com o uso de infravermelho, o raio penetrou as mãos de tinta, e foi possível observar a silhueta pretendida por Caravaggio originalmente na tela.

Detalhe da obra de Caravaggio onde é possível ver ele / Crédito: Divulgação/Wikimedia Commons

 

Uma das responsáveis pela descoberta, Roberta Lapucci, comentou sobre a descoberta com o jornal: “Após processar a imagem utilizando reflectografia multiespectral, conseguimos ver claramente o que o artista tinha pintado. Apresentamos essa imagem clara, precisa, ao público, evidenciando um jovem Caravaggio trabalhando, com pincel em mãos”.

Modelo

Apesar de não ser um segredo em si, o modelo utilizado pelo artista foi, provavelmente, seu pupilo Mario Minniti, que já havia sido objeto de pintura para Caravaggio em outras obras, tais como Menino com Cesta de Frutas, o Chamado de São Mateus, entre outros.

Críticos atentam, inclusive, para o caráter nada fantasioso da representação da divindade do vinho e dos excessos. Isso, é claro, teria sido proposital, uma vez que o artista queria representar como a tentação e o desejo são reais e próximos, longe de habitarem um espectro de fantasia.

Obra Baco, por Caravaggio (1596) / Crédito: Wikimedia Commons

 

Isso é acentuado ainda mais quando historiadores apontam que o artista e seu modelo eram amantes. Caravaggio geralmente pintava em cenas montadas, com artistas e modelos vestidos à caráter, diferente de muitos artistas que somente montavam um esboço na tela e depois completavam a partir da memória.

Segundo o The Telegraph, o historiador da arte, Donald Posner, acredita que isso significaria que quando admiramos a cena, estamos sendo verdadeiramente seduzidos por Baco.


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