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Descoberta rara e crime brutal: o crânio que revelou um assassinato da Era Vitoriana

Os restos mortais de uma vítima de homicídio realizado em 1879 só foi encontrado mais de cem anos depois — e revelou detalhes macabros sobre a morte

Alana Sousa Publicado em 15/11/2020, às 12h00

Ilustração mostra Kate Webster e Julia Thomas
Ilustração mostra Kate Webster e Julia Thomas - Wikimedia Commons

Esqueletos muitas vezes revelam detalhes do passado desconhecidos pela sociedade atual, ou mesmo, características e detalhes muito específicos de outrora. Desde aspectos sobre sua vida, morte e período no qual viveu, ossos antigos são repletos de segredos e enigmas. Assim foi o caso de um crânio encontrado em Londres, no ano de 2001, que revelou um crime brutal da Era Vitoriana. A notícia na época, foi revelada pelo jornal brasileiro Folha de S. Paulo.

Por mais de um século um crime brutal permaneceu sem solução e foi sendo esquecido ao longo dos anos, até que, de forma inesperada, os restos mortais puderam colocar fim em um mistério já sem esperança de ser desvendado.

Descoberta macabra

O crânio foi encontrado na casa do então diretor da BBC e naturalista, David Attenborough. Durante obras em seu jardim, a ossada foi desenterrada e causou pânico. Em seguida, o artefato foi enviado para uma análise especializada, chefiada pelo legista DavidBolton.

A maior surpresa dos estudiosos foi perceber que o crânio pertencia a uma mulher assassinada em 1879 por sua empregada. Tratava-se de Julia Martha Thomas, uma viúva de aproximadamente 55 anos que residia há séculos no mesmo local que Attenborough.

O crime envolvendo Thomas era de conhecimento público, sendo inclusive um dos mais brutais da Era Vitoriana, tanto por sua crueldade, quanto por seu desfecho. Porém, só 132 anos depois que os restos mortais da vítima foram, enfim, localizados.

Casa de Londres onde a descoberta foi feita / Crédito: Wikimedia Commons

 

“Juntando todas as evidências circunstanciais, há evidências claras, convincentes de que esta é Julia Martha Thomas”, relatou Bolton em entrevista ao Daily Mail, em julho de 2011. “Este é um caso fascinante e um bom exemplo de como o bom trabalho de detetive antiquado, registros históricos e avanços tecnológicos se uniram para resolver o ‘mistério de Barnes’”.

O crime brutal

Em 2 de março de 1879, Thomas chegou em casa depois de um evento na igreja e se envolveu em uma intensa briga com sua funcionária, Kate Webster, de 30 anos. Nervosa, a empregada empurrou Julia da escada, ferindo-a gravemente na cabeça.

Com medo de que fosse descoberta, decidiu finalizar o que tinha começado e estrangulou a mulher até a morte. Em seguida, a assassina desmembrou a vítima e descartou a maior parte dos ossos no rio Tâmisa.

Entretanto, ela ferveu pedaços de carne e alimentou algumas pessoas do bairro, como crianças e seus vizinhos. A mulher, que já tinha um histórico de roubo e desavenças com a patroa, não foi considerada suspeita em primeiro momento.

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Crânio de Julia / Crédito: Divulgação

Logo após o crime, Kate passou duas semanas agindo como se fosse Julia Thomas, até que, interrogada por policiais e desmascarada, decidiu fugir para seu país natal, a Irlanda. Em um erro crucial que lhe custou a vida, ao final do mês de março, estava de volta a Londres, onde foi capturada e levada ao tribunal.

Quatro meses depois foi julgada, apesar de várias teorias de defesa por ela levantadas, como a de que estava grávida ou até mesmo a participação de outras pessoas, em uma hora o júri tinha chegado a uma decisão.

Webster foi sentenciada à forca em 29 de julho na prisão de Wandsworth. E só confessou o crime um dia antes da execução, no entanto, morreu sem nunca revelar aonde estava o crânio da cabeça decepada de sua vítima.

A descoberta mais de um século depois foi tida como um alívio e, finalmente, um desfecho para um crime tão brutal. Mesmo que após muitas décadas, Thomas conseguiu ter um enterro decente, apesar de não ter mais nenhum familiar vivo.


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