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5 polêmicas que marcaram a carreira meteórica de Cazuza

O cantor e compositor que mudou o rock brasileiro tinha uma personalidade e tanto

Vanessa Centamori Publicado em 07/03/2020, às 13h00

Cazuza foi um dos artistas mais excêntricos do Brasil
Cazuza foi um dos artistas mais excêntricos do Brasil - Divulgação

Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como o cantor e compositor Cazuza, tinha uma personalidade muito forte. Quando ele ainda era vivo, sua excentricidade aparecia em suas letras, sempre recheadas de críticas políticas e versos icônicos. 

Ele, que faleceu por conta de complicações de Aids, no dia 7 de julho de 1990, marcou profundamente a geração dos anos 80, com sucessos como Exagerado, Codinome Beija-flor, Brasil e Faz Parte do Meu Show. Confira abaixo alguns casos polêmicos que marcaram a sua carreira:

Ney Matogrosso e Cazuza / Crédito: Divulgação

 

1. Admitiu que tinha AIDS

Em pleno ano de 1987, quando o HIV ainda era considerado um tabu, Cazuza admitiu publicamente ter Aids, sendo a primeira personalidade nacional a fazer essa declaração na época. Sua sinceridade e transparência ajudou muitas vítimas a lidarem com a doença, que era vista com olhares preconceituosos. 

O cantor decidiu continuar trabalhando, enquanto passava alguns dias em Boston, nos Estados Unidos, em busca de tratamento com AZT - única droga existente na época capaz de combater o vírus. Enquanto isso, lançou o seu álbum Ideologia, e realizou um tour pelo Brasil. O resultado: recebeu o prêmio Prêmio Sharp de Música. 

2. A controversa capa da Revista Veja 

No ano de 1989, o cantor Cazuza saiu na matéria de capa da famosa revista brasileira. O título da reportagem causou alvoroço e chocou os fãs. Dizia: Cazuza: Uma vítima da Aids agoniza em praça pública. Em uma foto, o astro apareceu magro e sério. 

No documentário Carta Para Além dos Muros, lançado ano passado, o diretor André Canto mostra que o cantor - nem seus familiares - não gostaram nenhum pouco da matéria. No filme, a mãe do músico revela que João Araújo, pai de Cazuza, saiu de casa com o objetivo de matar o jornalista responsável pelo conteúdo. 

3. Cuspe antipatriótico 

Durante um show no Rio de Janeiro, realizado em 18 de outubro de 1988, Cazuza apresentou seu espetáculo do álbum Ideologia, dirigido por Ney Matogrosso (com quem ele teve um caso). No espetáculo, por querer valorizar mais o texto, adotou uma postura mais contida no palco. 

Cazuza quando cuspiu na bandeira brasileira / Crédito: Divulgalção Facebook

 

Porém, isso não o impediu que ele expressasse escândalo, cuspindo na bandeira nacional que fora lhe dada de presente por uma fã. Na época, isso acabou chocando o país inteiro. 

4. Apresentações pouco sóbrias

Cazuza era conhecido por querer viver a vida intensamente. Ele frequentemente abusava na bebida alcóolica e consumia drogas, como cocaína. Quando ainda tocava para a banda Barão Vermelho, ele não conseguia subir no palco antes de usar alguma substância psicoativa. 

O cantor no ano de 1985 saiu do grupo para montar sua carreira solo, em parte pois sua loucura já não cabia no conjunto. Continuou então a escrever suas poesias musicais, tocando em assuntos como preconceito e erotismo, causando grande polêmica na tradicional família do Brasil dos anos 80. 

Estátua em homenagem à Cazuza, no Rio de Janeiro / Crédito: Wikimedia Commons 

 

5. Suas constantes brigas 

A banda Barão Vermelho ficou muito insatisfeita com a postura de Cazuza. Com o grupo cansado da postura do cantor, brigas e discussões surgiam com frequência, conforme a ideia do astro de partir para a carreira solo era elaborada. 

Quando ia aos ensaios, Cazuza aparecia bêbado e não queria trabalhar em qualquer música, sendo bastante seletivo. O contrato já estava assinado com a gravadora para um quarto disco e uma nova turnê no Brasil, mas ele preferiu seguir sua própria linha. A separação foi decidida e na última reunião do Barão Vermelho com Cazuza, o repertório foi repartido: parte dele foi para o álbum Exagerado o restante para Declare Guerra, do Barão.


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