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'A Luta entre Carnaval e Quaresma': Farra e fé presentes na mesma obra

Crida por Pieter Bruegel em 1559, a obra traz elementos de ambas as datas para criticar os conflitos da Reforma Protestante

Letícia Yazbek Publicado em 20/06/2021, às 10h00

A curiosa pintura de Pieter Bruegel, o Velho
A curiosa pintura de Pieter Bruegel, o Velho - Pieter Bruegel, o Velho/ Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Pieter Bruegel foi um dos mais importantes pintores flamengos do século 16. Nascido em 1525 na cidade de Breda, na Holanda, Bruegel estudou pintura com Pieter Coecke van Aelst e, em 1551, tornou-se mestre da Guilda dos Pintores de Antuérpia. É chamado de Pieter Bruegel, o Velho, para distingui-lo de seu filho mais velho, de mesmo nome.

Apesar de ter viajado pela Itália e aprendido a técnica dos artistas renascentistas, Bruegel é conhecido por ter trilhado um caminho próprio e apostado em sua originalidade. Mestre na pintura de paisagens, também retratou de forma detalhada a vida e os costumes dos camponeses.

Influenciado por Hieronymus Bosch, pintor holandês dos séculos 15 e 16, Bruegel se dedicou a temas religiosos e moralistas. A intenção era expor o absurdo existente na
vulgaridade, além das fraquezas, loucuras, e contradições dos costumes da época.

Detalhe da obra representando o Carnaval / Crédito: Pieter Bruegel, o Velho/ Domínio Público/ Creative Commons

 

Utilizando os recursos da sátira, o pintor criou algumas das primeiras obras de protesto social na história da arte. Uma delas é 'A Luta entre Carnaval e Quaresma', em que critica de forma satírica os conflitos da Reforma Protestante.

A emblemática pintura retrata um festival popular no sul da Holanda no período, que acontecia entre os últimos dias de Carnaval e o início da Quaresma. Em meio a diversas cenas, é possível encontrar as contradições da natureza humana, aqui representadas pelo prazer e a castidade religiosa.

Detalhe da obra representando a Quaresma / Crédito: Pieter Bruegel, o Velho/ Domínio Público/ Creative Commons

 

A pousada, à esquerda, representa o prazer e a diversão do Carnaval. Ela está rodeada por pessoas que estão bebendo e comendo enquanto assistem a uma encenação popular. O homem que lidera a festa popular também representa o Carnaval.

O curioso personagem está montado em um barril de cerveja, usa uma torta como chapéu e empunha um espeto de carne de porco. O casal de costas para o observador é guiado por um bobo da corte que leva uma tocha acesa. Essas figuras são vistas como uma alegoria da falta de razão do povo.

Sentada em uma pequena carroça puxada por um monge e uma freira, a senhora magra e debilitada é a personificação da Quaresma. Na abstinência de carne vermelha, ela traz consigo dois peixes. À direita, a igreja representa a Quaresma, o tempo de privações. Ao redor dela, há religiosos e crianças bem comportadas.


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