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Material traz inédito conjunto de mapas da fome no Brasil atual

Elaborado por dois geógrafos, um nutricionista e uma designer, o documento está disponível em formato digital. Confira!

Redação Publicado em 28/11/2021, às 12h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Divulgação/ Pixabay/ Engin_Akyurt

O Centro de Pesquisas e Práticas em Nutrição e Alimentação Coletiva (CPPNAC), do Instituto de Saúde e Sociedade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) — Campus Baixada Santista, lança oficialmente o Atlas das Situações Alimentares: a disponibilidade domiciliar de alimentos e a fome no Brasil contemporâneo. O atlas em formato digital tem acesso aberto. 

O material foi elaborado pelo geógrafos José Raimundo Sousa RibeiroJunior e Mateus de Almeida Prado Sampaio, pelo nutricionista Daniel Henrique Bandoni e pela designer Luiza De Carli, e busca dar uma contribuição para o entendimento da alimentação e da fome, debruçando-se sobre as situações alimentares que podem ser identificadas no Brasil atual.

O Atlas fornece uma síntese, por meio da representação gráfica e textual, das situações alimentares encontradas no país, com o objetivo de levantar questões e servir de referência para outras pesquisas, ou ainda como material de apoio para a atuação de conselhos de segurança alimentar, movimentos sociais, partidos políticos e outras organizações ou instituições interessadas em enfrentar os problemas relacionados à alimentação.

Trata-se de um material que problematiza uma suposta ‘alimentação dos brasileiros’, uma vez que evidencia uma complexa gradação entre o que se pode definir como as situações alimentares extremas existentes no país", explica Daniel Bandoni, professor do Departamento de Saúde, Clínica e Instituições da Unifesp.

"Entendo que esta pode ser uma das contribuições mais valiosas que o Atlas trará à compreensão da alimentação e da fome no Brasil: um conjunto de representações gráficas e cartográficas que apresentam e problematizam a complexa territorialização da fome no país, conformando assim um inédito conjunto de mapas da fome no Brasil contemporâneo", pontua o especialista.

Análise

Com o objetivo de caracterizar e interpretar as situações alimentares, os pesquisadores selecionaram e analisaram um conjunto de informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF, edições 2002-2003, 2008-2009 e 2017-2018) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, edições 2004, 2009 e 2013), ambas elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todo esse conteúdo foi agrupado, interpretado e representado em mapas, gráficos e tabelas, além de embasar os textos que acompanham esses elementos.

O atlas está organizado em duas partes: a primeira delas apresenta uma análise da disponibilidade domiciliar de alimentos, examinando, em diferentes capítulos, três indicadores relacionados a essa disponibilidade: (i) as despesas familiares com alimentação; (ii) a aquisição domiciliar de alimentos, segundo os diferentes itens alimentares pesquisados pela POF; (iii) e a avaliação da disponibilidade domiciliar de alimentos com base na classificação NOVA.

Já a segunda parte se debruça sobre a análise das situações de fome e de risco de fome, primeiro (i) tecendo algumas considerações teórico-metodológicas a respeito da mensuração desses dois fenômenos, para em seguida (ii) analisar os dados oferecidos pelas pesquisas do IBGE acerca de sua dinâmica no Brasil contemporâneo.

"Considerando a diversidade e complexidade das situações alimentares existentes em um território como o brasileiro, o sentido da interpretação não foi o de estabelecer uma classificação destas, mas demonstrar como elas estão relacionadas às classes de rendimento, situação (rural ou urbana) e localização (unidade da federação ou grande região) dos domicílios", ressalta Bandoni.

Quando disponíveis, consideramos também os dados referentes às características das pessoas de referência destes, para explicitar como as desigualdades raciais e de gênero atravessam as situações alimentares", finaliza o nutricionista.

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