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Na década de 60, um surto de risadas na Tanzânia afetou mulheres por mais de 2 anos

Na época, o episódio resultou em diversas teorias, todavia, a explicação foi muito mais racional do que era imaginado

Caio Tortamano Publicado em 11/02/2020, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa de pessoas rindo
Imagem meramente ilustrativa de pessoas rindo - Getty Images

Em 1962, em Tanganyika (hoje Tanzânia), 95 das 159 alunas de um internato no vilarejo de Kahasha começaram a rir compulsivamente durante horas, obrigando a escola a fechar para que a situação pudesse ser controlada.

Quase três meses depois, o internato foi reaberto, e não durou um mês para que o problema acontecesse novamente e fechasse as portas, dessa vez afetando outras 57 meninas. Se o problema fosse relacionado somente ao ambiente escolar, seria menos grave, poderia até se tratar de uma peça pregada pelas alunas, no entanto, foi percebido que afetava primeiro as adolescentes, depois suas mães, e em seguida outras parentes, todas eram mulheres.

Os surtos de risadas podiam durar horas, e até mesmo mais de duas semanas. Em junho do mesmo ano, outra escola começou a ter o mesmo problema que se alastrou em proporções tamanhas as de Kahasha. A única maneira de conter a situação foi criar uma quarentena nas vilas atingidas.

Não era permitida a entrada e saída de pessoas até que todos estivessem sem ataques de riso desenfreados. Em junho de 1964, a quarentena pôde finalmente ser finalizada, e mais nenhum caso da epidemia do riso foi registrado no local.

A justificativa

O que poderia ter motivado esse fenômeno? A primeira opção analisada foi de ter sido algum tipo de reação tóxica no ambiente, no entanto, nada foi encontrado para justificar o ocorrido. Outra opção pensada foi um surto de encefalite, que também não foi confirmada.

A conclusão que as autoridades chegaram foi a de que se tratou de um surto psicológico, uma histeria coletiva. Não trouxe sérios danos a ninguém, mas foi um exemplo que demonstrou que a risada pode ser involuntariamente contagiosa, e pode ser observado em grupos animais, como cachorros que começam a latir desenfreadamente em sequência ou pássaros que imitam um líder pousando na mesma árvore.


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