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O curioso vilarejo que enxerga o Príncipe Philip, marido de Elizabeth II, como divindade

Apesar da devoção em uma pequena ilha no Pacífico não ter uma origem clara, encontros entre locais e a figura real já aconteceram

Caio Tortamano Publicado em 04/04/2020, às 08h00

Príncipe Philip em 2013
Príncipe Philip em 2013 - Wikimedia Commons

Em uma ilha ao sul do Pacífico, mais especificamente no vilarejo de Yaohnanen, na Ilha de Tanna, uma celebração única é dada para uma figura messiânica, tratada como filho da divindade que representa as montanhas do local. O personagem é ninguém menos que o Príncipe Philip, marido de Elizabeth II.

Por esse motivo — ainda que tratada com indiferença na própria Inglaterra — uma festa grandiosa com base no consumo de muitos porcos foi celebrada durante o casamento real entre Meghan Markle e o Príncipe Harry. Afinal, não é todo dia que o neto de uma divindade une matrimônio.

De acordo com o The Independent, além da carne suína, uma bebida chamada de Kava — a base de raízes — anima os espíritos da celebração. O casamento real foi uma festa maior até que a do próprio aniversário do Príncipe Philip, em 2010, quando completou 89 anos.

Nessa data, um profeta teria dito que o príncipe iria — em carne e osso — até a ilha para viver com eles em uma cabana, e caçar porcos selvagens com a população local. No episódio, porém, o duque de Edimburgo não pôde comparecer devido a sua idade, mas um estudante britânico de 18 anos chamado Marc Rayner foi o seu substituto.

Rayner foi até a pequena ilha e participou das festividades locais, inclusive vivendo com um tapa-sexo ligeiramente maior que o dos nativos para que ficasse mais confortável.  “eu cheguei ao local para explicar que, diante dos vários compromissos do príncipe, ele não poderia visitar pessoalmente a ilha — mas que um dia descansaria em espírito no lugar”, afirmou em entrevista à Adam Lusher, do The Independent.

De fato, ao longo de seus 98 anos, Philip nunca chegou a pisar em Yaohnanen, onde é adorado pela população. O mais perto que ele chegou foi em 1974, quando esteve na capital de Vanuatu — arquipélago do qual a ilha faz parte.

Durante a visita, habitantes antigos da ilha de Tanna presentearam o príncipe com um bastão tradicional local, ao que Philip, de maneira muito cordial e respeitosa, os presenteou futuramente com uma foto segurando o dito bastão. Hoje, essa fotografia é uma espécie de relíquia religiosa na ilha.

A devoção não tem uma origem muito clara, mas todas as tardes os habitantes da ilha se reúnem, tomam o kava e rezam para o Príncipe Philip. Aparentemente, essas preces têm sido ouvidas, como é apontado por Jimmy Joseph Nakou, um local que afirma que toda vez que eles pedem por chuva ou por boas épocas nas plantações elas acontecem.

Nativo Joseph Kanou com adereços de Príncipe Philip / Crédito: Divulgação

 

Depois do anúncio do duque que ele abriria mão de suas funções como príncipe britânico, um ciclone chegou à Vanuatu, mas isso não afetou a fé deles pela figura de Philip. Ao invés disso, aponta o jornalista Matthew Baylis, que também passou um tempo na ilha, o ciclone foi visto como uma espécie de elevação do status de poder da divindade.

Um grupo de moradores de Yaohnanen foi levado para Londres para encontrar a tal divindade no ano de 2007. A reunião foi encarada com um pouco de apreensão, tendo em vista que os costumes dos nativos eram completamente diferentes dos londrinos, e Philip não tinha o melhor dos históricos com visitantes — ele foi muitas vezes caracterizado como esnobe por pessoas que o conheceram.

Porém, o encontro foi um sucesso, Nakou foi um dos que conheceram o duque pessoalmente e afirmou ter sido uma das maiores experiências da vida dele.


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