Curiosidades » Ciência

Por que o cérebro humano encolheu?

Comparados com nossos ancestrais pré-históricos, perdemos massa cinzenta. Estaremos ficando mais burros?

Letícia Yazbek Publicado em 04/03/2019, às 09h00

Dúvida Cruel
Getty Images

O fato: nos últimos 20 mil anos, o volume médio do cérebro humano diminuiu de 1500 cm³ para 1350 cm³. Uma massa do tamanho de uma bola de tênis. Qual seria a razão?

A teoria mais básica é que o cérebro só acompanhou a diminuição do tamanho médio do corpo humano. Maiores e mais fortes do que os seres modernos, os pré-históricos necessitavam de mais massa cinzenta para realizar suas atividades. Há cerca de 20 mil anos, o aquecimento da Terra fez com que a seleção natural favorecesse pessoas de estruturas menores. Corpos volumosos são melhores em conservar calor e teriam sido favorecidos em um clima mais frio.

Mas não celebre ainda. A mudança do ambiente e do modo de vida interferiu também no tamanho do cérebro. Segundo David Geary, professor do Departamento de Ciências Psicológicas da Universidade do Missouri, um corpo forte e um cérebro grande eram características essenciais para a sobrevivência em um local hostil. “Com o surgimento de sociedades complexas, o cérebro ficou menor porque as pessoas não precisavam ser tão inteligentes para se manterem vivas”, afirma Geary. E o cérebro, órgão que gasta grande quantidade de energia, não é mantido em tamanho maior a menos que seja extremamente necessário. Além de não precisar fugir de predadores, caçar animais e lascar pedras, o ser humano moderno conta com meios externos de armazenamento e processamento de informações, como a escrita.

Ficamos mais burros então? Para Brian Hare, professor de antropologia evolutiva da Universidade Duke, o encolhimento do cérebro não indica que o ser humano está ficando mais burro. Na verdade, ele indica que atingimos um nível mais eficiente e sofisticado de inteligência. Com um órgão mais compacto, conseguimos trabalhar e nos organizar com mais rapidez do que nossos antepassados.

Outra teoria é a de que cérebros menores proporcionam menos agressividade e melhor convivência social. De acordo com Hare, o mesmo padrão pode ser observado nos animais. “Embora os lobos tenham um cérebro muito maior do que o dos cães, os cães são muito mais sofisticados, inteligentes e flexíveis. Isso mostra que a inteligência não está relacionada ao tamanho do cérebro.”