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Renúncia à presidência e morte solitária: A controversa vida íntima de Jânio Quadros

O ex-presidente do Brasil que largou o cargo de maneira repentina teve dias finais melancólicos

Penélope Coelho Publicado em 27/07/2020, às 17h00

Fotografia de Jânio Quadros
Fotografia de Jânio Quadros - Wikimedia Commons

Conhecido por ter sido o vigésimo segundo presidente do Brasil, Jânio Quadros causou estranhamento quando renunciou ao cargo em um momento em que o país enfrentava um período de grande crise política. Entretanto, pouco se sabe sobre a figura de Jânio fora dos palanques e as dificuldades de saúde que o homem enfrentou.

Início da vida

Nascido em 25 de janeiro de 1917, em Campo Grande no Mato Grosso do Sul, Jânio da Silva Quadros veio de uma família de médicos e engenheiros. Quando jovem passou boa parte desse período vivendo em Curitiba, no Paraná.

Depois de se formar no colégio se mudou para São Paulo, onde se instalou na Zona Norte da cidade. O homem decidiu cursar Direito na Universidade de São Paulo (USP), após a graduação, Jânio atuou como professor de direito processual penal, na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Sua carreira política aconteceu de maneira meteórica, em 1947, ele foi eleito como suplente de vereador em São Paulo, a partir daí não parou mais. Passou a atuar como deputado e logo chegou à prefeitura da capital. Não demorou muito para que se tornasse governador e rapidamente chegou à presidência.

Quadros causava impacto por ser uma figura dramática e demagógica, que facilmente conquistou o eleitorado. Seu lema era a promessa de que iria combater a corrupção, por isso, repetia com frequência que iria varrer toda a sujeira da administração pública e usava como símbolo de campanha uma vassoura.

Jânio se tornou presidente do Brasil em 31 de janeiro de 1961 e renunciou ao cargo em 25 de agosto do mesmo ano, em uma estratégica política falha que o político assumiu para o neto, Jânio Quadros Neto, muitos anos depois do ocorrido, em seu leito de morte.

Jânio Quadros quando presidente / Crédito: Wikimedia Commons

 

Fama de mulherengo

Casado com Eloá Quadros, Jânio teve somente uma filha, Dirce Tutu Quadros. Longe da vida pública, ele era intitulado como um ‘galanteador insistente’, que muitas vezes perdia a noção. Esse lado do ex-presidente veio a publico depois da publicação do livro Presidentes Do Brasil - De Deodoro a FHC (2002).

Em uma reportagem publicada no portal ISTOÉ comentando sobre a obra, foi revelado que Jânio por diversas vezes tentou conquistar a apresentadora Hebe Camargo e que por insistência do político, Hebe chegou a marcar um encontro com ele, mas não compareceu.

Além disso, a ex-funcionária do governo Diva Pereira Lima afirmou que era constantemente observada pelo homem: “Notei que ele, pela maneira de me fitar, não alimentava boas intenções. Antes que me retirasse me fez propostas indecorosas, pedindo até que eu entrasse em um armário embutido em seu gabinete”, disse Lima.

Jânio Quadros, em 1961 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Saúde frágil e corrupção 

Quando assumiu a prefeitura de São Paulo pela segunda e última vez em 1986, acabou afastando-se de diversas obrigações que o cargo exigia, em decorrência de problemas em sua saúde pessoal e de sua idade, mas, principalmente para cuidar da mulher que enfrentava um câncer.

Em 1990, Eloá não resistiu à doença e faleceu, essa fatalidade acabou atingindo Jânio em cheio e seu estado de saúde piorou. Além disso, na mesma época acusações de que o homem mantinha uma conta bancária na Suíça, desmoronaram a tentativa de demonstração de vida que Jânio gostava de ostentar: a de que mantinha uma trajetória política íntegra e longe da corrupção.

Jânio Quadros passou o fim de sua vida vagando entre casas de repouso para idosos e quartos de hospitais. O motivo era triste: enfrentou por três vezes derrames cerebrais. Em seus últimos meses, o político estava em estado vegetativo e já não se movia. O ex-presidente morreu em 16 de fevereiro de 1992, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.


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