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Retratação de pênis grande e pequeno na Grécia Antiga tem explicação curiosa

As representações fálicas são estudadas por historiadores da arte há séculos

Wallacy Ferrari Publicado em 08/05/2022, às 11h00

Escultura grega representa homem com pênis exposto
Escultura grega representa homem com pênis exposto - Getty Images

As esculturas de mármore que marcam a arte grega não apenas surpreende pelo excesso de detalhes, mas por demonstrar que, desde antes de Cristo, já existiam padrões de beleza baseados na hipertrofia, fatores genéticos e até mesmo no órgão sexual reproduzido nas figuras esculturais.

Este último fator, capaz de gerar choque por ser considerada uma parte íntima, era comumente retratada em formato pequeno, destoando do resto do corpo, que apresentavam músculos grandes e torneados, muitas vezes sendo possível visualizar a vascularização por veias cuidadosamente esculpidas.

A dúvida que resta é o porquê do pênis aparecer tão pequeno — mas tem uma resolução, apresentada pela historiadora da arte Ellen Oredsson, conforme reportado pela revista Veja em 2017. É facilmente compreensível que os órgãos são pequenos por não estarem em posição sexual, ou seja, enrijecidos.

Se alguém compara com o tamanho da maioria dos pênis moles, (os dos gregos) não são na verdade tão significativamente menores quanto os da vida real”, disse Ellen.
Representações de esculturas gregas na abertura dos Jogos Olimpícos de Atenas em 2004 / Crédito: Getty Images

Ferramenta de definição

Outro fator levado em conta durante as análises das esculturas chama atenção ao pênis como uma ferramenta de definição de caráter; a associação do pênis pequeno e mole era diretamente ligada ao respeito da figura.

Retratado dessa forma, era um sinal de que se tratava de uma pessoa admirável. Do contrário, as retratações de pênis grandes e grossos eram sinônimas de uma figura bárbara, incisiva e feia, como levantou o historiador Kenneth Dover no seu livro 'Greek Homossexuality'.

A conclusão mais razoável é a de que se um pênis grande vem com uma face horrível e o pênis pequeno com um rosto bonito, então o pequeno é que era admirado“,  apontou o pesquisador.

O escritor David M. Friedman acrescentou na obra ‘A Mind of its own: a cultural history of the penis’, que aborda a história da compreensão cultural sobre o órgão masculino, alguns exemplos de retratações sombrias: “Os artistas gregos mostravam o seu desprezo pelos estrangeiros e pelos escravos pintando-os com órgãos grandes”.