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O Classificador

August Sander e seu catálogo de seres humanos

Redação AH Publicado em 28/11/2018, às 07h00

Homens do Século 20
August Sander

O sujeito da foto é, como se vê, um carregador de tijolos. O que hoje, e no Brasil, seria um assistente de pedreiro. Anônimo, ele é parte de um imenso projeto do fotógrafo alemão August Sander, que pretendia catalogar os homens e mulheres de seu tempo – sua obra principal chama-se justamente Homens do Século 20.

Sander era próximo da vanguarda intelectual da República de Weimar, e clicou as transformações da Alemanha entre os anos 20 e a ascensão do nazismo. Suas fotos não tinham nenhum efeito visual, não eram feitas em cenários nem se valiam de truques. Era algo como “a vida como ela é”. Ele catalogava seus personagens em grupos como “homens de negócio”, “operários”, “doentes” e até um estranho “pessoas que batem na minha porta”.

Um dos grupos de Sander era formado por gente que ele não fotografou. Seu filho, militante comunista, foi preso pelos nazistas e contrabandeou fotos de um campo de concentração, que acabaram catalogadas como “prisioneiros políticos”.

Sander continuou vivendo na Alemanha sob Hitler, mas certa vez pendurou uma cabeça de porco na porta de seu estúdio fotográfico como forma de protesto. Teve de retirá-la rapidamente. Sua obra sofreu com a guerra. Os nazistas apreenderam e proibiram seus livros de fotos e seu estúdio, na cidade de Colônia, foi bombardeado pelos Aliados. Sander morreu em 1964.