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Anistia Internacional não considera mais Alexei Navalny como "prisioneiro de consciência"

Entretanto, ONG afirma que continuará lutando por sua libertação. Entenda!

Fabio Previdelli Publicado em 24/02/2021, às 10h39

Foto de Alexei Navalny
Foto de Alexei Navalny - Wikimedia Commons

Na manhã de hoje, 24, a ONG Anistia Internacional (AI) anunciou que não considera mais Alexei Navalny, principal opositor do presidente russo Vladimir Putin, como um “prisioneiro de consciência” — ou seja, uma pessoa que foi presa por expressar, de maneira não violenta, suas ideias convicções, crenças ou ideologia.  

Segundo informações da AFP, que foram repercutidas pelo UOL, Navalny sai desta lista por ter proferido comentários de ódio em discursos que realizou há alguns anos. Entretanto, a AI disse que continuará pedindo sua libertação, já que considera seu julgamento político.  

"A Anistia Internacional tomou a decisão interna de deixar de classificar Alexei Navalny como prisioneiro de consciência pelos comentários que fez no passado", declarou a ONG em nota enviada à AFP. 

“Alguns destes comentários, que Navalny não negou publicamente, equivalem a um chamado ao ódio, o que está em contradição com a definição da Anistia de um prisioneiro de consciência", completou a organização que afirmou que “continuará lutando por sua liberdade”. 

A prisão de Navalny 

No dia 17 de janeiro, Alexei Navalny — conhecido por atuar em oposição contra o governo da Rússia — foi preso ao retornar para seu país de origem. Segundo repercutido por veículos do mundo todo, o homem foi detido pela polícia local assim que chegou ao aeroporto de Sheremetievo, em Moscou. 

O homem enfrenta acusações por parte da Rússia por supostamente ter violado suas condições de sentença impostas em 2014. A violação teria acontecido no período em que o opositor esteve na Alemanha, já que não se apresentou à polícia russa ao menos duas vezes na semana, como era pedido. 

Sabe-se que Alexei esteve na Alemanha para se recuperar de um envenenamento. Em 20 de agosto do ano passado, o opositor passou mal durante um voo depois de ter tomado um chá antes de embarcar a caminho de Moscou. 

Inicialmente, ele ficou um período na Rússia — que negou que o opositor havia sido envenenado. Porém, a pedido da família, o homem foi transferido para Berlim, na Alemanha. 

Através de exames, no mês de setembro de 2020, os alemães afirmaram que Navalny foi sim envenenado, tratava-se de uma substância do tipo Novichok, usada nos tempos soviéticos para fins militares. O opositor, por sua vez, acredita que a ordem para o envenenamento tenha partido de Vladimir Putin, presidente da Rússia. 

A recente detenção de Alexei está sendo criticada pelos principais líderes da Europa. O presidente Conselho Europeu, Charles Michel, usou seu Twitter para pedir a libertação “imediata” do homem. Já o chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrel, classificou como “inaceitável” a prisão do opositor.