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Arecibo: Após 57 anos, um dos mais importantes telescópios do mundo desaba em Porto Rico

O telescópio, que era um dos principais radares de observação de asteroides que se aproximam da Terra, apareceu em cenas de filmes de Hollywood como "GoldenEye" e "Contato"

Giovanna Gomes Publicado em 03/12/2020, às 09h34

A estrutura entrou em colapso
A estrutura entrou em colapso - Divulgação/National Science Foundation

O gigante telescópio de Arecibo, localizado em Porto Rico, desabou na última terça-feira, 1, após 57 anos de operação.

Segundo o porta-voz da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF) Rob Margetta, em declaração à AFP, "a plataforma entrou em colapso de forma não planejada."

O que aconteceu foi que dois cabos que seguravam a estrutura de 900 toneladas acabaram por romper, um no dia 10 de agosto e o outro em 6 de novembro, ainda por razões desconhecidas.

Essa queda dos cabos danificou a antena, de modo que o telescópio foi considerado instável e irrecuperável. Já prevendo que a estrutura desabaria, as autoridades proibiram o acesso ao telescópio e anunciaram seu desmonte.

"É um desastre absoluto", declarou à AFP o professor Abel Méndez, diretor do Laboratório de Habitabilidade Planetária da Universidade de Porto Rico em Arecibo, no norte da ilha. "Muitos alunos se formaram em astronomia no observatório, o que lhes deu a inspiração para seguir a carreira em Ciências ou Astronomia, como foi o meu caso", acrescentou.

Méndez ainda explicou que astrônomos do mundo inteiro podiam solicitar o uso do radiotelescópio por certo tempo para fazer suas observações à distância. Arecibo foi um dos principais radares de observação de asteroides que se aproximam da Terra. 

O telescópio, que era um dos maiores do mundo, também apareceu em cenas do filme da série de James Bond "GoldenEye" e também em "Contato", de Robert Zemeckis. No ano de 1992, permitiu ainda a descoberta dos primeiros planetas fora do Sistema Solar. 

Os primórdios do sistema solar

Alguns corpos do sistema solar são conhecidos desde a Antiguidade, já que são visíveis a olho nu. Mas foi apenas anos depois que o homem começou a entender o que realmente se passa no céu – inclusive a perceber que a Terra não era o centro do Universo. 

Ptolomeu, astrônomo de Alexandria, lançou a teoria de que a Terra é o centro do Universo e os corpos celestes giram em torno dela. Além do Sol e da Lua, já eram conhecidos Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno – todos vistos a olho nu.

Por conta da cor, Marte recebeu dos romanos o nome do deus da guerra. Na Ásia, era a “Estrela de Fogo”. No Egito, “O Vermelho”.

Já outro grande momento se deu com o polonês Nicolau Copérnico, que virou o mundo do avesso ao elaborar, a partir de 1514, uma teoria que corrigia as ideias de Ptolomeu (e também do filósofo Aristóteles).

A Terra não é o centro do Universo: é apenas um planeta que gira em torno do Sol. Nascia a teoria heliocêntrica.

Em 1610, Galileu Galilei descobriu quatro satélites de Júpiter, entre eles Ganimedes (a maior lua do sistema solar). Ele tornou-se um defensor da teoria de Copérnico e acabou julgado pela Inquisição.

Para não ser condenado, declarou que a teoria era apenas uma hipótese e deu um tempo nos estudos – só retomados sete anos mais tarde.