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Após quase um século sem registros, espécie rara de abelha é vista na Austrália

“Eu jamais esperei encontrar algumas delas”, disse o pesquisador James Dorey, responsável pelo achado

Fabio Previdelli Publicado em 03/03/2021, às 14h14

A abelha mascarada australiana
A abelha mascarada australiana - Divulgação/ James Dorey

Na Austrália, um pesquisador encontrou uma rara espécie de abelha que não era vista há quase um século — o que fez com que muitos pensassem que ela havia sido extinta. As informações são da Live Science.  

Conhecida como Pharohylaeus lactiferus, a abelha “mascarada”, como é popularmente chamada, é nativa do país da Oceania e tem características muito semelhantes com à invasora europeia, a Apis mellifera — como o seu tamanho, por exemplo.  

Antes da recente descoberta, a espécie só foi vista em outras seis ocasiões no país, sendo a última delas em 1923. O responsável pelo episódio foi James Dorey, um candidato ao doutorado na Universidade de Flinders, enquanto completava uma pesquisa de campo no Estado de Queensland.  

Após encontrar a espécie, Dorey expandiu sua pesquisa para o Estado de New South Wales. “Eu jamais esperei encontrar algumas delas”, disse em entrevista à Live Science. “Mas, agora, capturamos muito mais abelhas do que naquela época”. 

Segundo o pesquisador, a redescoberta da espécie foi um acidente de sorte. Sobre a falta do registro das abelhas mascaradas, James atribui o fato ao aumento do desmatamento e de incêndios florestais.  

"Onde essas abelhas foram encontradas, esse tipo de floresta tropical sofreu destruição e fragmentação de habitat", disse Dorey. "Isso significa que há menos desse habitat disponível" e isso torna "mais difícil para [as abelhas] se moverem entre o que resta". 

Infelizmente, a mudança climática só deve piorar a existência da espécie. “Essas ameaças potenciais provavelmente vão piorar”, pontua, explicando que isso pode impedir que os animais recolonizem outros espaços.  

Como os registros sobre as abelhas mascaradas são escassos, não há como saber se suas populações aumentaram ou diminuíram ao longo do tempo. Por isso, o pesquisador diz que o rastreio delas é essencial. "Sem ele, não temos ideia do que está acontecendo nos ecossistemas", diz.  

"Se não fossemos olhar, então o declínio das espécies certamente passaria despercebido e a proteção das espécies seria impossível”, conclui. O estudo completo foi divulgado no dia 25 de fevereiro no Journal of Hymenoptera Research