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Caracol indiano que pode transmitir meningite é identificado em 2 estados brasileiros

Outros 5 relataram a aparição do molusco

Fabio Previdelli Publicado em 24/11/2021, às 11h30

Caracol indiano
Caracol indiano - Divulgação/Marcos Bornschein

Natural da Índia, o caracol invasor Macrochlamys indica chegou ao Brasil. Em 2019, a presença do molusco havia sido registrada no Paraná e, até então, pesquisadores acreditavam que sua aparição estava restrita ao estado. Mas não.  

Nas últimas semanas, especialistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), registram aparições do caracol em municípios paulistas. Há, ainda, relatos em outras regiões do país, como Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espirito Santo e Goiás.  

A preocupação se dá, segundo explica matéria publicada pelo UOL, por dois fatores: o primeiro é que, apesar de parecer inofensivo, o molusco é associado à destruição de plantações. Além do mais, ele pode ser hospedeiro de nematoides. 

Informações sobre o caracol indiano/ Crédito: Divulgação/Marcos Bornschein

 

Um deles, o Angiostrongylus cantonensis, pode provocar meningite ou meningoencefalite. O outro, Angiostrongylus costaricensis, pode causar uma infecção que provoca uma dor semelhante à apendicite. Porém, ainda não se sabe se a espécie encontrada no Brasil possui algum desses invasores. Entretanto, precauções devem ser tomadas, vide o cartaz acima. 

Acredita-se que o molusco possa ter vindo pelo mar, escondido em alguma carga de plantas vivas, segundo explica Marcos Bornschein, ecólogo e professor doutor em Ecologia da Unesp de São Vicente, ao UOL. 

Não dá ainda para confirmar que eles chegaram em navios. Mas estamos notando que sua dispersão se dá por meio de vasos de plantas que são transportados de uma região para outra", diz. 

Apesar de parecido com uma outro espécie originária do Japão, o caracol da Índia é fácil de ser identificado por conta de algumas características: ele é extremamente pequeno, atingindo, no máximo, o tamanho de uma moeda de 1 real; sua casca é delicada e possui a cor âmbar; além de possuir uma saliência carnuda e pontiaguda na ponta da cauda — que se estende para trás, ao redor ou sobre a concha quando ele está relaxado.  

Caso o caracol seja avistado, Bornschein pede para que as pessoas o fotografem e enviem os registros, a localização e um breve histórico do avistamento para a pesquisadora Larissa Teixeira (larissa.teixeira@unesp.br), mestre em biodiversidade e profissional que está à frente das pesquisas de identificação.