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Coleção mais valiosa do mundo de pergaminhos do Mar Morto é falsa, dizem especialistas

Acervo foi comprado por um bilionário cristão e doado ao Museu da Bíblia, em Washington, em 2017

Fabio Previdelli Publicado em 16/03/2020, às 10h00

Suposto fragmento de pergaminho do Mar Morto
Suposto fragmento de pergaminho do Mar Morto - Divulgação

Segundo especialistas, uma premiada coleção de fragmentos de pergaminho do Mar Morto, que está exposta em um museu dos Estados Unidos, é falsa. A afirmação foi feita após uma equipe analisar 16 retalhos de couro que supostamente formaram parte dos famosos pergaminhos — que seriam os exemplares mais antigos sobreviventes da Bíblia Hebraica.

Os artefatos foram comprados pelo bilionário cristão Steve Green e doados ao Museu da Bíblia, em Washington, em 2017. Na época, foi declarado que os documentos supostamente valiam milhões de dólares, o que fez a coleção ser considerada como a mais valiosa do mundo.

Agora, no entanto, os pesquisadores contratados para examinar o acervo concluíram que nenhum dos fragmentos é real. Profissionais da Art Washington Fraud Insights, de Washington, constataram que o material não passa de falsificações inúteis feitas com pedaços de couro de sapatos antigos.

"É evidente que nenhum dos fragmentos de texto da coleção do Pergaminho do Mar Morto da Museu da Bíblia é autêntico", disse Colette Loll, chefe da Art Fraud Insights. As falsificações enganaram os colecionadores, o fundador do museu e alguns dos principais estudiosos bíblicos do mundo.

"Além disso, as características de cada exposição sugerem que são falsificações deliberadas criadas no século 20 com a intenção de imitar fragmentos autênticos do Pergaminho do Mar Morto".

Os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos em meados do século 20 nas cavernas de Qumran, no deserto da Judeia, perto da Cisjordânia. Na ocasião, o achado foi aclamado como uma das descobertas arqueológicas mais significativas da história.