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Mais lidas: Eduardo Bolsonaro ironiza jornalista torturada durante a ditadura

Em seu Twitter, filho do presidente atacou Miriam Leitão

Fabio Previdelli Publicado em 04/04/2022, às 12h05 - Atualizado em 10/04/2022, às 10h00

Eduardo Bolsonaro em 2020
Eduardo Bolsonaro em 2020 - Getty Images

Após compartilhar com seus seguidores o tema de sua coluna no jornal O Globo, a jornalista Miriam Leitão foi atacada por Eduardo Bolsonaro nas redes sociais na tarde de ontem, 3. 

“Qual é o erro da terceira via? É tratar Lula e Bolsonaro como iguais. Bolsonaro é inimigo confesso da democracia. Coluna de domingo”, tuitou a jornalista. Em resposta, o filho do presidente ironizou o fato de Miriam ter sido torturada durante a ditadura militar

Ainda com pena da [emoji de cobra]”, escreveu Eduardo. 

Conforme recorda matéria da Folha de São Paulo, Miriam Leitão passou por sessões de tortura durante a Ditadura Militar enquanto estava grávida. Uma das práticas usadas pelos agentes contra a jornalista foi deixá-la nua em uma sala escura onde havia uma cobra. 

Durante os últimos anos, Leitão vem sendo alvo frequente de ataques da família Bolsonaro e de seus aliados políticos. No começo do ano, por exemplo, o presidente afirmou em entrevista à Rádio Jovem Pan que a jornalista deveria trabalhar melhor, dizendo que se ela fosse boa o bastante, seria lembrada para trabalhar em seu governo.

Documentos evidenciaram a tortura na Ditadura Militar Brasileira

Em 31 de março de 1964, os brasileiros vivenciaram o golpe militar que inaugurou os 21 anos de ditadura. O período, marcado por perseguições, tortura e mortes sempre foi alvo do negacionismo histórico, ou seja, quando fatos são negados e alvo de ataques. 

No entanto, um importante episódio ocorrido em 2014 evidenciou os horrores vividos pelas vítimas da ditadura. Um arquivo do governo americano foi trazido por Joe Biden, então vice-presidente durante a gestão Barack Obama, ao Brasil.

"O suspeito é deixado nu, sentado e sozinho em uma cela completamente escura ou refrigerada por várias horas. Na cela há alto-falantes, que emitem gritos, sirenes e apitos em altos decibéis. Então, o detido é interrogado por um ou mais agentes, que informam qual crime acreditam que a pessoa tenha cometido e que medidas serão tomadas caso não coopere. Nesse ponto, se o indivíduo não confessa, e se os agentes consideram que ele possui informações valiosas, ele é submetido a um crescente sofrimento físico e mental até confessar", diz um trecho do documento. 

O episódio completo pode ser relembrado no vídeo abaixo; confira!