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Imagem mostra centenas de afegãos fugindo em um avião dos EUA

Segundo relato, a tripulação achou melhor decolar do que forçar as 640 pessoas a saírem

Luíza Feniar Migliosi Publicado em 17/08/2021, às 12h11

Centenas de afegãos tentando fugir de Cabul
Centenas de afegãos tentando fugir de Cabul - Divulgação/Defense One

Centenas de afegãos se amontoaram em um avião de carga dos EUA para fugir de Cabul. A maioria dos rostos era masculino, mas mulheres e crianças também expressavam a mistura de alívio e ansiedade.

A imagem não foi verificada pelo portal de notícias BBC que a veiculou, mas foi obtida pelo site de análise de defesa dos Estados Unidos, Defense One.

Centenas de afegãos tentam fugir | Crédito: Defense One

 

No domingo, 15, os civis entraram em pânico e escalaram a tampa de carregamento. Segundo o relato de um oficial americano a Defense One, divulgado pela BBC, a tripulação achou que era melhor decolar do que forçar as pessoas a saírem do avião.

A bordo do avião C-17 Globemaster estavam 640 afegãos, um dos números mais altos já registrado para esse modelo. O recorde ainda fica com o Boeing 747 israelense que transportou mais de 1.000 migrantes judeus da Etiópia em 1991.

O oficial de defesa dos EUA citado ainda relatou que o avião de Cabul para o Catar foi um dos vários que conseguiram extrair centenas de afegãos da cidade.

A foto, que não foi divulgada oficialmente pelo Pentágono, se liga com as imagens caóticas do aeroporto de Cabul na segunda-feira, 16, quando foi invadido por afegãos aterrorizados com a perspectiva do domínio do Talibã.

A agência de refugiados da ONU, ACNUR, apelou aos países para não forçarem o retorno dos afegãos que antes não precisavam de proteção. Estima-se que 550.000 afegãos foram deslocados internamente pelo conflito desde o início do ano.

Em entrevista à CNN, Caroline Van Buren, representante da ACNUR no Afeganistão, relatou que a agência acredita que entre 20.000 e 30.000 estejam fugindo pelas fronteiras todas as semanas. Os números do governo sugerem que 120.000 se mudaram para Cabul quando as forças do Talibã se aproximaram.

Muitas pessoas que temem por suas vidas trabalharam com forças lideradas pelos Estados Unidos, principalmente como tradutores ou contratados.

Porém, o tratamento dado pelo Talibã às mulheres durante seu governo anterior, na década de 1990, e seu uso de punições bárbaras é outro grande incentivo para sair.

No início de agosto, a Casa Branca anunciou um plano para permitir que milhares de afegãos com ligações com os EUA se instalassem lá. Na segunda-feira, 16, o presidenteJoe Biden anunciou US$ 500 milhões de dólares em ajuda aos refugiados afegãos.

Outros países também tentam ajudar, como é o caso da Alemanha, A chanceler Angela Merkel relatou aos líderes do partido que o país pode precisar evacuar cerca de 10.000 pessoas, incluindo 2.500 funcionários de apoio.

O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, disse à BBC Breakfast que 150 cidadãos britânicos foram levados de avião no domingo,15. Na semana passada, o Reino Unido extraiu 289 afegãos. Várias centenas mais partirão nas próximas 24 horas, disse Raab.

Porém, a turbulência no Afeganistão aumentou o temor na Europa de um novo influxo de migrantes. Um exemplo é a decisão da Turquia de aumentar a segurança em sua longa fronteira com o Irã, onde está construindo um muro de concreto.