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Jerusalém: Local de purificação judaico da época de Jesus é encontrado

Ele foi descoberto no subsolo próximo a uma igreja bizantina durante obras para construção de um túnel

Ingredi Brunato Publicado em 22/12/2020, às 07h00

Fotografia do local de banhos ritualísticos
Fotografia do local de banhos ritualísticos - Divulgação/ Autoridade de Antiguidades de Israel

Nessa segunda-feira, 21, a Autoridade de Antiguidades de Israel anunciou em uma coletiva de imprensa a descoberta de um micvê - estrutura judaica usada para banhos ritualísticos de purificação - no jardim do Getsêmani, em Jerusalém

O artefato arqueológico foi revelado durante a construção de um túnel subterrâneo nas vizinhanças da Igreja do Getsêmani, e, para a surpresa dos arqueólogos, datava de 2 mil anos atrás, na época que Jesus Cristo estaria vivo. 

Fotografia de igreja bizantina de Getsêmani / Crédito: Divulgação/ Autoridade de Antiguidades de Israel

 

“Getsêmani é um dos santuários mais importantes da Terra Santa. As últimas escavações realizadas neste local confirmaram a antiguidade da memória e da tradição cristã ligada ao lugar, e isso é muito importante para nós e para o significado espiritual associado aos achados arqueológicos”, comentou o padre Francesco Patton a respeito do achado, segundo divulgado pelo Haaretz, jornal israelense. 

O homem católico também comentou sobre como a Igreja recebe milhares de peregrinos todos os anos. 

Segundo especulado pelos pesquisadores, os micvês seriam usados por trabalhadores para se purificarem antes de seu dia de trabalho, o que, mais que uma tradição judaica, costumava ser uma lei. Diversas outras estruturas de banhos ritualísticos como essa já foram encontradas antes espalhadas por Israel.

Fotografia do padre Francesco Patton do lado do micvê / Crédito: Divulgação/ Autoridade de Antiguidades de Israel

 

Sobre Jesus Cristo

Jesus de Nazaré, além de uma entidade religiosa, foi uma figura histórica. Trata-se de um homem de origem judaica nascido na Galileia na primeira metade do século I, foi carpinteiro, discípulo de João Batista e um resistente da ocupação romana na Judeia, até se tornar imagem central da religião cristã.

Acreditam que Jesus passou pelo menos um ano sendo rabino na região do Mar da Galileia, antes de sua crucificação, supostamente na Páscoa de 30 d.C., como forma de resistência às elites que dominavam Jerusalém.

Jesus era considerado um profeta e disseminador de uma ética religiosa, e suas parábolas eram considerados reflexões sobre Deus e a resistência em uma realidade de opressões políticas.

Por esse motivo, foi perseguido pelas autoridades da Judeia e condenado à morte por crucificação pelos romanos, governados por Pôncio Pilatos. Segundo a tradição religiosa, Jesus teria retornado da morte como Rei dos Judeus três dias após o óbito.