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Mianmar: Base militar é tomada por facção rebelde

No final de março, a KNU também havia tomado outra base, matando 10 soldados

Vinicius Barbosa, supervisionado por Thiago Lincolins Publicado em 27/04/2021, às 08h50

Protestos em Mianmar contra o golpe de Estado e a favor da democracia
Protestos em Mianmar contra o golpe de Estado e a favor da democracia - Wikimedia Commons

Nesta madrugada, a KNU (União Nacional Karen) — uma das facções mais relevantes por ser uma grande combatente contra o governo de Mianmar desde o golpe de Estado — assumiu o controle de uma nova base militar. Como resultado, espera-se que haja novos confrontos contra o exército. As informações são do UOL

Cada vez maior, o conflito entre alguns grupos armados e militares vem se intensificando desde a queda do governo civil liderado pela vencedora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, em 1° de fevereiro.

Felizmente, a dominação da base situada no estado de Karen não teve vítimas, segundo Padoh Saw Taw Nee, um dos líderes do grupo, em entrevista para a agência de notícias AFP.  Zaw Min Tun, porta-voz da junta militar, confirmou o ataque e disse que haverá represálias contra a brigada 5 da KNU: ‘medidas serão adotadas’. 

O medo do conflito é iminente, afastando aqueles que moram em localidades próximas. A KNU abriga quase 2 mil fugitivos de outras cidades do país, que são opositores ao golpe de Estado e que sofreram repressão das forças armadas. 

Esse confronto entre militares e forças rebeldes já fez inúmeras vítimas de ambos os lados, e até mesmo quem não têm participação direta em nenhum dos dois. Ontem, 26, um vendedor morreu em Mandalay, no centro, ao ser atingido por um tiro no peito. 

Desde 1948, ano da independência de Mianmar, muitas facções étnicas lutam contra o governo a fim de obter mais autonomia, acesso a recursos naturais e controle de uma parte do lucrativo tráfico de drogas. 

Nos últimos 2 meses, mais de 750 civis morreram em operações das forças de segurança, como dito pela AAPP (Associação de Ajuda aos Presos Políticos), que também temem o crescimento do abuso contra a comunidade LGBTIQ. A AAPP registrou um caso de uma mulher transexual que foi humilhada e agredida em sua detenção.