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Museu Pitt Rivers irá retirar cabeças encolhidas para evitar estereótipos racistas

A instituição, que pertence à Universidade de Oxford, passou por uma revisão recentemente

Ingredi Brunato Publicado em 15/09/2020, às 08h00

Fotografia de cabeças encolhidas quando estavam em exibição.
Fotografia de cabeças encolhidas quando estavam em exibição. - Divulgação/ Museu Pitt Rivers

O Museu Pitt Rivers, na Inglaterra, passou por uma revisão de seus objetos em exposição e decidiu remover as cabeças encolhidas, resultando em um total de 120 restos mortais sendo retirados do museu. No momento, vale lembrar que a instituição está fechada por conta da pandemia de Covid-19, com previsão de reabertura para 22 de setembro. 

O motivo da decisão é porque esses artefatos históricos acabam contribuindo para a visão dos povos indígenas que os produziram como “selvagens” por parte dos visitantes do museu. A revisão interna teve assim por objetivo evitar que estereótipos racistas fossem reforçados. 

As cabeças encolhidas, que são vindas do Equador e da América do Sul, são feitas usando cabeças não só humanas, mas também de macacos e preguiças. Os povos antigos que as criaram acreditavam que os objetos eram capazes de capturar uma das almas dos homens de seu povo (porque eles viam o indivíduo como possuidor de múltiplas almas), e dessa forma o grupo era fortalecido, e as colheitas aumentavam. 

O Museu Pitt Rivers foi fundado em 1884, e muitos de seus primeiros objetos em exibição podem ser considerados hoje como intimamente ligados à expansão imperial britânica. Com esse fato em mente, a instituição publicou um comunicado: “Essa história difícil levou o museu a se envolver mais no reconhecimento de suas práticas passadas e da natureza de sua coleta, exibição e interpretação e os efeitos que elas têm hoje.”