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No Palácio do Planalto, Bolsonaro recebe Major Curió, símbolo da repressão da Ditadura

O encontro com o tenente-coronel responsável pela morte de militantes da Guerrilha do Araguaia não estava previsto na agenda oficial do presidente

André Nogueira Publicado em 05/05/2020, às 07h00 - Atualizado às 09h00

Major Curió e capitão Bolsonaro
Major Curió e capitão Bolsonaro - Divulgação/Instagram

O presidente Jair Bolsonaro voltou a divulgar figuras importantes da Ditadura Militar ao ser visitado pelo tenente-coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió. Este foi um agente da repressão que colaborou na captura e tortura de dezenas de guerrilheiros em Araguaia, nos anos 1970. Segundo o jornal Estado de São Paulo, o encontro não estava previsto na agenda oficial do político.

Curió é militar aposentado e político pelo PMDB, pelo qual foi deputado, e DEM. Aos 85 anos, estava sentado em uma cadeira de rodas enquanto conversava com o presidente, um dia após a participação do mesmo em atos pró-intervenção do Executivo. Visita ocorreu de modo informal, ao lado de assessores e do filho do militar.

O filho de Curió divulgou o encontro pelas redes sociais. Junto às fotos, em que Jair Bolsonaro aparece sorrindo, postou-se a frase “Dia de dois amigos de encontroarem e dizer FORÇA”.

Durante ações na Guerrilha do Araguaia, Curió usou o nome falso Marco Antonio Luchinni / Crédito: Divulgação

 

Major Curió é denunciado pelo Ministério Público Federal por crimes de lesa-humanidade, sendo um dos principais símbolos dos Anos de Chumbo. Seus advogados defendem que suas ações são mantidas sob a Lei de Anistia, mas status dos delitos podem prescrever. A Comissão Nacional da Verdade o tem como um dos principais alvos de processos, que usam, inclusive, documentos por ele divulgados em delações e biografias, que detalham as execuções de militantes e simpatizantes durante a Revolta dos Perdidos.

“Sebastião Curió foi acusado em seis denúncias, e o segundo militar com mais ações criminais contra ele é Lício Augusto Maciel, denunciado em três ações”, afirma a CNV, em relatório. "As novas ações elevam para nome o número de denúncias oferecidas desde 2012 pelo MPF por crimes na Guerrilha do Araguaia (ao todo).”