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Novas leis estabelecidas no Vaticano combatem crimes financeiros em contratos

Iniciativa do Papa Francisco busca aumentar a transparência no setor de economia do país e impedir a corrupção que era desenfreada na Igreja

André Nogueira Publicado em 01/06/2020, às 14h00

Papa Francisco
Papa Francisco - Getty Images

O governo do Vaticano introduziu uma série de leis novas no intuito de aumentar a transparência nos concursos e reduzir o espaço para a corrupção no coração da Igreja. A legislação, anunciada hoje, 1, é resultado de quatro anos de trabalho jurídico da equipe do Papa Francisco, que ascendeu ao trono com promessas de revisão na área de Finanças do pontificado.

Porém, suas ações sofreram grande resistência por parte de seus ministros, que não desejavam um maior controle sobre as transações monetárias do Vaticano. A cúpula de cardeais da Igreja, hoje se sabe, está envolvida com uma série de ilicitudes e desvios.

Segundo a análise do especialista Iacopo Scramuzzi, divulgada no Twitter, a nova lei “põe fim ao hábito firmemente estabelecido do Vaticano de confiar contratos externos a parentes e amigos de amigos". Com isso, se reduzirá “significativamente o risco de corrupção".

De acordo com anúncio da Santa Sé, os novos padrões de transparência e controle dos contratos permitirão a centralização das despesas em dois órgãos administrativos, o que antes era dissolvido em uma série de instituições fragmentadas.

Além disso, a nova lei estabelece parâmetros inovadores, como excluir de contratos pessoas anteriormente envolvidas com veículos de crime organizado, além de oficializar que as seleções em concursos devem seguir princípios éticos e evitar conflitos de interesse.

"O tema do corte de despesas é muito atual e importante neste momento — infelizmente destinado a continuar — de sérias dificuldades econômicas para o mundo inteiro, mas também para a Santa Sé e o Estado da Cidade do Vaticano", colocou Giuseppe Pignatone, chefe da corte do Vaticano e especialista em ações antimáfia.