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Novo estudo revela verdadeira datação de esqueleto de cavalo descoberto em 2018

Os pesquisadores acreditavam que os ossos datavam da Era do Gelo, mas foram contrariados por uma pesquisa recente

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 16/02/2021, às 14h18

O esqueleto de cavalo
O esqueleto de cavalo - Divulgação - Bridger Hill

Em 2018, pesquisadores descobriram o esqueleto completo de um cavalo “selvagem” na cidade de Lehi, no estado norte-americano de Utah. Quando desenterraram os restos mortais de um antigo lago seco, pensaram que o animal tinha vivido durante a Era do Gelo.

Os pesquisadores acreditavam que o esqueleto tinha por volta de 16 mil anos. No entanto, uma nova pesquisa, publicada na revista científica American Antiquity, revelou que a datação estava equivocada. Na verdade, os restos mortais são bem mais recentes.

William Taylor, principal autor do estudo e professor da Universidade de Colorado, explica que os ossos eram de um cavalo doméstico que não tem mais de 340 anos. A confusão aconteceu porque o animal foi enterrado em uma cova que apresentava sedimentos lacustres de um período entre 14 a 16 mil anos atrás.

O cavalo viveu durante o período pós-colombiano, quando espanhóis introduziram a espécie na região. Ele provavelmente foi criado por indígenas que habitaram a região no passado, o que foi indicado pelas análises realizadas nos ossos.

Foi possível perceber que ele apresentava fraturas na coluna, o que sugere que ele foi montado. De acordo com Taylor, "esse é um tipo de característica bastante rara em um animal selvagem”. “Uma vez que olhamos mais de perto, encontramos outras pistas, incluindo artrite severa — e, em última análise, os dados genéticos nos ajudaram a confirmar essa ideia", afirmou.

"O cavalo Leí nos mostra que existe um incrível registro arqueológico da relação inicial entre povos indígenas e cavalos — um registro que nos conta coisas que não foram escritas em nenhuma história europeia", concluiu o pesquisador.