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Notícias / África

Oito anos após serem sequestradas pelo Boko Haram, jovens são libertadas

As mulheres faziam parte do grupo de 276 estudantes de um colégio feminino na Nigéria raptado em 2014

Redação Publicado em 22/06/2022, às 09h41

Manifestação em junho de 2014 com cartazes de "tragam nossas garotas de volta" - Getty Images
Manifestação em junho de 2014 com cartazes de "tragam nossas garotas de volta" - Getty Images

Duas jovens que foram sequestradas pela organização extremista Boko Haram há oito anos foram encontradas por tropas nigerianas em duas regiões diferentes do país nos dias 12 e 14 de junho, informaram os militares na terça-feira, 21.

As duas mulheres faziam parte do grupo de 276 estudantes de um colégio feminino em Chibok, no nordeste da Nigéria, que foi raptado pelo grupo terrorista em abril de 2014. Na época, 57 conseguiram fugir pulando dos veículos e mais 80 foram libertadas após negociações com o governo, em que foi feita uma troca por comandantes presos.

Os mais dois recentes resgates foram de Hauwa Joseph, encontrada com outros civis no último dia 12 depois que um campo do Boko Haram foi desmantelado; e Mary Dauda, que fugiu e foi resgatada após ser encontrada em um vilarejo próximo à fronteira com Camarões. As duas estavam com bebês no colo quando foram resgatadas.

Segundo a agência de notícias AFP, o major-general Christopher Musa, comandante militar na região, afirmou: "Temos muita sorte por conseguirmos recuperar duas das meninas de Chibok".

Histórias das jovens

Hauwa Joseph relatou sua história à imprensa no quartel-general militar após ter sido resgatada. Ela contou que, depois do rapto, foi obrigada a se casar e ter um filho, com o qual foi deixada sozinha após a morte do marido e sogro durante uma operação militar.

"Eu tinha nove anos quando fui sequestrada de nossa escola em Chibok, me casaram há pouco tempo e tive este filho", disse. "Nós fomos abandonados, ninguém cuidava de nós dois. Não estávamos sendo alimentados".

O caso de Mary Dauda foi diferente. Sequestrada aos 18 anos, a jovem foi casada várias vezes com muitos combatentes da organização extremista. Enquanto estava com o último, decidiu fugir e falou a ele que iria visitar outra menina de Chibok em um vilarejo próximo.

Foi a partir de lá que, com a ajuda de um idoso, conseguiu escapar e, ao caminhar por muitas horas, encontrou as tropas do governo e finalmente foi libertada, recebendo a ajuda necessária.

"Eles deixavam você passar fome e te agrediam se você não rezasse", relembrou. "Todas as meninas restantes de Chibok foram casadas e têm filhos. Eu deixei mais de 20 delas em Sambisa. Estou tão feliz por estar de volta".