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Onça-pintada é encontrada com mais de 50 perfurações de chumbinho no interior de São Paulo

Segundo moradores locais, o animal invadiu sítios e atacou animais domésticos antes de ser morto

Redação Publicado em 16/08/2021, às 14h00

Onça-pintada encontrada morta
Onça-pintada encontrada morta - Divulgação/Beatriz de Mello Beisiegel/ICMBIO

No último fim de semana, uma onça-pintada macho foi encontrada morta com mais de 50 perfurações de chumbinho na cidade de Capão Bonito, no interior de São Paulo. Conforme informações do G1, Máscara, como era conhecido o animal, invadiu sítios e atacou animais domésticos antes de ser morto.

O felino era um dos seis acompanhados por um projeto ambiental realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com a Fundação Florestal e era um indivíduo importantíssimo para a preservação da espécie.

Em entrevista ao portal de notícias, a moradora local Adelita Pereira dos Santos, declarou que chegou a ver o Máscara em sua propriedade nos últimos meses e que ele estava atacando seus animais.

“Desde quando eu vim pra cá, eu já sabia que tinham onças, mas nunca me prejudicou em nada. De fevereiro pra cá, ela me pegou dois cachorros, aí na semana seguinte pegou mais um outro e começou vir atacando, galinha, perus, patos, gansos”, disse a aposentada.

Como os ataques se tornaram frequentes, Adelita acionou os pesquisadores do projeto ambiental, que instalaram cercas elétricas e luzes automáticas para impedir o felino de se aproximar do local.

“Depois que colocaram o choque, ela não apareceu mais. Sempre eles perguntavam, mas eu falava que nunca mais apareceu, e agora a bichinha apareceu morta”, lamentou a moradora, quem diz que o Máscara não deveria ter sido morto, já que o projeto ambiental já estava atuando para evitar novos ataques. "Fiquei muito triste".

Segundo os especialistas que atuam no projeto, conforme imagens de câmeras escondidas na mata, a onça tinha um ferimento na pata direita e andava mancando. 

"Quando um bicho fica prejudicado e não consegue mais caçar presas naturais por estar machucado, ele começa a caçar o que está mais fácil. Então, ele estava comendo patos e galinhas nas casas do entorno", explica a analista ambiental do ICMBio, Beatriz de Mello Beisiegel.

"As providências para contratação estavam sendo tomadas e, no dia de aprovação dos orçamentos para captura, alguém cruzou o seu caminho antes da equipe do projeto. Um assassinato covarde em um momento que o animal estava prestes a ser resgatado e tratado", disse o pesquisador da Fundação Florestal, Thiago Borges Conforti.