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Há 1 ano, peças da coleção pessoal da imperatriz Teresa Cristina eram recuperadas após incêndio

Com o devastador incêndio ocorrido em 2018, o acervo da esposa de dom Pedro II foi atingido

Pamela Malva Publicado em 03/09/2020, às 15h31 - Atualizado em 09/09/2021, às 13h56

A imperatriz (à esqu.) e as peças (à dir.)
A imperatriz (à esqu.) e as peças (à dir.) - Wikimedia Commons e Museu Nacional

Dois anos depois do incêndio que consumiu o palácio principal do Museu Nacional da UFRJ, no Rio de Janeiro, as equipes da instituição fizeram um anúncio positivo no dia 3 de setembro de 2020. Mesmo atingida pelo desastre, 30% da coleção da imperatriz Teresa Cristina foi recuperada.

Antes do episódio, o acervo imperial contava com 750 obras, incluindo artefatos de bronze, objetos de cerâmica, mosaicos e afrescos. Datadas do século 7 a.C. ao 3 d.C., cerca de 100 obras foram encontradas inteiras, junto de outras em pedaços.

Segundo a arqueóloga Ângela Rabello, durante relato no ano passado, a recuperação foi bastante significativa. Mesmo assim, a especialista explicou que “agora, se ela [a coleção] estará em condições de ser mostrada ao público, vai depender do que pode ser restaurado”.

Um dos corredores do prédio após o incêndio e uma das peças da coleção imperial / Crédito: Museu Nacional

 

Entre as muitas peças perdidas no incêndio do dia 2 de setembro de 2018 estavam diversos afrescos encontrados em Pompeia. Ainda que isolados em vitrines de vidro, eles foram encontrados no chão, estilhaçados em pequenos fragmentos.

Para a professora Neuvânia Ghetti, que é coordenadora do Núcleo de Conservação do Resgate de Acervos do Museu Nacional, essa foi uma das maiores dificuldades da recuperação.

A coleta dos afrescos foi feita com pinças e bisturis, em um trabalho bastante minucioso que buscava separar os pequenos pedaços dos escombros.

Museu Nacional

 

Cláudia Carvalho, a coordenadora do Núcleo de Resgate, por sua vez, afirmou que as peças mais danificadas pelo incêndio foram as de vidro, já que ficaram expostas ao calor intenso por muito tempo. Quanto ao resto do inventário do palácio, Cláudia explica que os esforços de recuperação já estão 90% concluídos.

Amor pela História

A última imperatriz do Brasil tinha um enorme carinho pela arqueologia. Quando veio para o Brasil cumprindo o trato de se casar com Pedro II, ela trouxe curiosas peças arqueológicas oriundas das famosas cidades de Herculano e Pompeia, atingidas pela erupção do vulcão Vesúvio.

Enquanto estava em nosso país, Teresa patrocinou incríveis escavações nos sítios arqueológicos localizados em Roma, sendo que parte dos artefatos encontrados foram levados ao Rio de Janeiro.