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Pesquisador explica origem de caixas de borracha encontradas no nordeste

Segundo o oceanógrafo Carlos Teixeira, os misteriosos fardos eram transportados por um navio alemão durante a Segunda Guerra

Pamela Malva Publicado em 04/08/2021, às 17h00

Fotografia de uma das caixas encontradas
Fotografia de uma das caixas encontradas - Divulgação/ Limpurb

Nas últimas semanas, autoridades da Bahia e do Sergipe identificaram curiosas caixas de borracha nas praias do litoral nordestino. Agora, segundo o oceanógrafo Carlos Teixeira, sabe-se que os pacotes vieram de um navio nazista naufragado há 80 anos.

Em entrevista ao G1, o pesquisador do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), explicou que os fardos de borracha eram transportados pelo navio alemão SS Rio Grande quando ele foi afundado pela frota da Marinha norte-americana em meados de 1944, já no final da Segunda Guerra Mundial.

Era um navio de carga nazista alemão. A ideia dele era ficar transportando cargas entre um lado do Atlântico e o outro”, narrou o especialista. “Além dessas caixas de borracha, ele carregava cargas de metais como cobalto, estanho, latão, titânio, vários metais que hoje são até bem valorizados.”

Segundo a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), seus agentes foram acionados depois que dois fardos foram encontrados na última terça-feira, 03. Frente ao achado, a Marinha brasileira coletou uma amostra do material, a fim de analisá-lo em conjunto com o Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Para Carlos Teixeira, outro indício que revela a origem das caixas é a tampa de um fardo encontrada no Ceará há dois anos. Na peça, é possível ler a frase “Produzido na Indochina Francesa”, região dominada pelo Japão na época do conflito mundial.

"As correntes estão para o norte e os ventos estão para o norte. Então não teria como estar trazendo uma caixa de Sergipe ou do norte da Bahia para Salvador para a Região Metropolitana de Salvador, como Stella Maris e Flamengo", explicou o oceanógrafo.

Considerando que não existem registros de naufrágios no litoral nordestino, nada justifica o surgimento dos fardos de borracha nas praias brasileiras. "A gente ainda não sabe se existiam caixas enterradas ao sul de Salvador ou se isso está vindo do mar. Como elas chegaram em Salvador é um novo mistério”, finalizou o oceanógrafo.