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Por salvar migrantes, ativistas podem pegar 25 anos de prisão na Grécia

Anistia Internacional chamou as acusações de “grotescas” e Human Right Watch cita claras “motivações políticas”

Fabio Previdelli Publicado em 18/11/2021, às 10h47

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Imagem ilustrativa - Getty Images

Nesta quinta-feira, 18, começa em Lesbos, na Grécia, o julgamento de 24 ativistas que atuaram no salvamento de migrantes entre os anos de 2016 e 2018. Caso condenados, os trabalhadores humanitários podem pegar até 25 anos de prisão. 

Além de espionagem, divulgação de segredos de Estado e lavagem de dinheiro, o grupo também é acusado de tráfico de seres humanos e filiação a um grupo criminoso. Todos os réus, das mais diversas nacionalidades, pertencem à ONG Centro Internacional de Resposta Emergencial (ERCI, em inglês). 

A Anistia Internacional chama as acusações de “grotescas” e diz que as denúncias não representam casos isolado, já que, na Europa, há diversos casos abertos contra ativistas por terem ajudado "homens e mulheres que fogem de conflitos, torturas ou situações extremas em seus países de origem, sem ter outra escolha além de realizar périplos extremamente perigosos em busca de segurança", conforme apontam em nota.

A entidade diz que criminalizar os ativistas não irá desencorajar os migrantes a atravessarem o Mar Mediterrâneo, muito pelo contrário, pode encorajar mais mortes. Já a Human Right Watch afirma que o processo tem claras “motivações políticas”. 

Entre as pessoas que estão sendo acusadas, duas delas já passaram três meses presas preventivamente. Um desses casos diz respeito à nadadora Sarah Mardini. Refugiada da Síria, ela e a irmã resgataram cerca de 20 migrantes, em 2015. Sarah ficou presa por mais de 100 dias, só sendo libertada em dezembro de 2018.