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Segundo Talibã, mulheres poderão ir à universidade, mas separadas dos homens

O novo ministro do Ensino Superior do Afeganistão explicou quais regras deverão ser seguidas nas universidades do país

Redação Publicado em 13/09/2021, às 09h54

Mulheres afegãs na Universidade de Cabul
Mulheres afegãs na Universidade de Cabul - Getty Images

De acordo com uma declaração dada por Abdul Baqi Haqqanis, o novo ministro do Ensino Superior do Afeganistão, as afegãs poderão frequentar a universidade. No entanto, se engana quem pensa que elas não encontraram diferenças; conforme relatou o UOL, as mulheres não poderão estudar junto com homens. Além disso, o código de vestimenta islâmico será obrigatório nas instituições de ensino.

O pronunciamento surge após imagens de salas de aulas divididas por cortinas terem circulado nas redes sociais nos últimos dias.

Segundo o líder, sempre que possível, as alunas deverão ser ensinadas por mulheres, em salas separadas. "Temos um grande número de professoras. Não enfrentaremos nenhum problema nisso. Todos os esforços serão feitos para encontrar e fornecer professoras para estudantes do sexo feminino", declarou Haqqanis.

O ministro explicou que, caso não haja professoras disponíveis, serão adotadas outras medidas para garantir a separação. Além disso, ele afirmou que os véus religiosos serão obrigatórios para todas mulheres, porém não especificou se elas deverão cobrir o rosto. 

"Quando realmente há necessidade, os homens também podem ensinar mulheres, mas de acordo com a sharia, eles devem observar o véu", disse Haqqanis

O Talibã 

Durante 1996 e 2001, o Talibã governou o Afeganistão, antes de ser derrubado por uma campanha liderada pelos EUA após os ataques no 11 de setembro. Depois de 20 anos, neste domingo,15, o movimento fundamentalista islâmico voltou a dominar o país depois de ocupar a capital, Cabul.

Em seu domínio, as meninas foram proibidas de frequentar as escolas e as mulheres foram proibidas de andar em público sozinhas, apenas acompanhadas de homens e cobrindo o corpo inteiro, não podiam trabalhar, estudar ou serem tratadas por médicos do sexo oposto. Aquelas que se recusavam a seguir as ordens eram castigadas e executadas.

No mês passado, a jovem ativista Malala desabafou sobre a volta do grupo extremista ao Afeganistão. 

"Nós assistimos em completo choque o Talibã assumindo o controle do Afeganistão. Estou profundamente preocupada com as mulheres, as minorias e os defensores dos direitos humanos. Os poderes globais, regionais e locais devem pedir um cessar-fogo imediato, fornecer ajuda humanitária urgente e proteger refugiados e civis."

Em 2012, Malala se tornou um símbolo em defesa dos direitos humanos depois que sobreviveu a um tiro na cabeça disparado por um atirador do Talibã no Paquistão.