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33 anos de cativeiro: a controversa — e triste — saga de Tilikum, a orca assassina

Causando três mortes ao longo de sua vida, o animal marinho esteve envolvido em uma polêmica de maus tratos

Caio Tortamano Publicado em 10/05/2020, às 09h00

Tilikum, a baleia assassina
Tilikum, a baleia assassina - Wikimedia Commons

Capturada em 1983, nos mares da Islândia, a orca Tilikum foi removida de seu habitat natural quando tinha apenas dois anos de idade, juntamente com outras duas jovens orcas. Seu nome significa amigos, relações, tribos ou nações — características bem mais amistosas que a realidade.

De sexo masculino, a baleia ficou exposta um ano em um zoológico marinho em sua terra natal, mas foi transferida depois para o Sealand of the Pacific, um parque aquático no Canadá. Além disso, foi considerada por muito tempo como a maior exemplar de um macho em cativeiro, com quase 7 metros de altura e 5.700 quilos.

Em Sealand, o animal divida seu tanque com duas fêmeas, Haida II e Nootka IV. Tilikum era constantemente ameaçado e agredido pelas duas, que o colocaram para baixo da cadeia social do tanque. Por isso, muitas vezes tinha que ficar isolado no tanque médico para que não acabasse morrendo.

Primeira morte

Por mais que o seu histórico seja violento, não é comum que orcas sejam agressivas em seu habitat natural, não havendo, inclusive, nenhum registro de ataque fatal de tal natureza. Porém, quatro mortes por orcas foram registrados até 2019, três delas sendo autoria de Tilikum.

Em 1991, ainda no parque no Canadá, uma tratadora e estudante de biologia marinha, Keltie Byrne estava em uma plataforma acima do tanque dos três mamíferos. Subitamente, a jovem de 21 anos escorregou e caiu bem a vista das orcas, que a arrastaram para baixo, impedindo Byrne de alcançar a superfície.

Em dado momento, ela até conseguiu alcançar a borda da piscina e fez força para sair de lá, mas as baleias foram mais rápidas e pegaram seu corpo pela última vez. Demorou horas para que os tratadores conseguissem tirar o cadáver da água, mesmo depois de terem emitido diversas ordens para que as orcas — que eram treinadas — parassem.

Seaworld

Essa morte fez com que Tilikum fosse transferido para o Seaworld, em Orlando, o mais conhecido zoológico aquático do mundo em 1992. Tudo transcorreu bem para o animal até 1999, quando um homem nu foi encontrado em cima dele na sua piscina de descanso.

Tilikum durante apresentação em 2009 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Daniel Dukes, de 27 anos, visitou o parque durante o dia e conseguiu evitar a segurança para ficar no parque até que ele estivesse completamente vazio e fechado. Sozinho, tirou suas roupas e entrou no tanque em que estava Tilikum. Uma autópsia encontrou diversos ferimentos no corpo do homem, mas a causa de sua morte foi oficializada como afogamento. 

Apesar das diversas câmeras no local, o Seaworld afirmou que não exisitam registros do ataque.

Dawn Brancheau

No ano de 2010 a sua vítima mais famosa morreu. Depois de um show, a treinadora Dawn Brancheau estava esfregando Tilikum como parte de uma rotina pós-apresentações.

Dawn durante uma de suas famosas apresentações / Crédito: Wikimedia Commons

 

A profissional era uma das mais renomadas treinadoras de orcas no mundo, e trabalhava há 15 anos no Seaworld. Quando, no dia 24 de fevereiro, a orca agarrou-a pelo cabelo e a puxou para debaixo da água. Ela só emergiu já sem vida.

Tilikum e sua futura vítima, Dawn Brancheau / Crédito: Wikimedia Commons

 

A morte da profissional exigiu uma grande mudança nas práticas para com a baleia, como o uso de massageadores de água ao invés de mãos. Voltou a se apresentar em 2011 ao lado de seu neto, Trua. Ao longo de sua vida, Tilly (como foi apelidado) teve um total de 21 filhos em cativeiro, alguns deles, inclusive, feitos por inseminação artificial.

Controvérsia e morte

O fato de ter gerado tantos filhos gerou uma controvérsia enorme na comunidade protetora dos animais, que viam que Tilikum era usado como um gerador de prole para que os parques continuassem lucrando em cima de orcas. Além disso, as mortes que cometeu ao longo de sua vida seriam explicadas pela estressante rotina em que vivia, com poucos momentos de paz e tranquilidade.

Em 2016, o Seaworld anunciou que a saúde da orca, de então 35 anos, estava ficando cada vez pior. Acreditava-se que Tilly teria uma infecção pulmonar, mas depois de um tempo sua saúde pareceu estabilizar e melhorar. Em janeiro de 2017, entretanto, veio a falecer pela manhã do dia 6 de janeiro.


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