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5 filmes que retratam episódios traumáticos do passado com humor

Mesmo tratando de tragédias como a guerra, o genocídio e o autoritarismo, esses filmes são excelentes comédias que nos fazem pensar

André Nogueira Publicado em 18/11/2019, às 12h06

Charles Chaplin em O Grande Ditador (1940)
Charles Chaplin em O Grande Ditador (1940) - Getty Images

Um dos principais poderes da comédia é o de nos fazer pensar enquanto nos entretêm, resultando em gargalhadas devido exageros da realidade ou quebras de expectativas que mexem com nossa percepção sobre a realidade. Sem comédia, a vida é bem menos colorida e a crítica política também.

Conheça cinco filmes bons que nos ensinam a lidar e criticar o passado enquanto damos risada.

1. O Grande Ditador, de Charles Chaplin (EUA, 1940)

Crédito: Wikimedia Commons

 

Nessa que é uma das mais famosas obras de Charles Chaplin, uma sátira política é conduzida para a realização de uma profunda crítica à lógica da Guerra e à brutalidade do nazismo e do culto a Hitler.

Sem esquecer as críticas a Mussolini, Chaplin se veste de Führer e filma as diversas presepadas do ditador alemão, representado como o excêntrico líder Adenoid Hynkel da fictícia Tomânia, e de um barbeiro judeu que, após anos de coma e amnésia, acorda no país sob regime hynkelista.

Com um emocionante discurso final, focado na colaboração e humanidade entre os povos, Chaplin faz uma excelente crítica aos compromissos de dominação global e de extermínio da Alemanha Nazista. Também existe uma forte defesa à democracia no filme.

2. Capitão Falcão, de João Leitão (Portugal, 2015)

Crédito: Indivídeos

 

O objetivo principal do filme, além de te arrancar risadas, é nos fazer refletir sobre os absurdos existentes na cabeça de um fascista. Trata-se da história de um super-herói militar que tem como principal missão proteger e obedecer ao presidente Antônio Salazar, ditador português.

Falcão recebe uma importante missão de investigar uma possível conspiração comunista contra o governo, passando a procurar por diversos lugares de Lisboa que possam estar tomados pelos "malditos comunas", uma série de personagens barbudos esteriotipados usando vermelho e amarelo e segurando armas como foice e o martelo.

Do mesma maneira que nos EUA, Falcão é, de maneira debochada e satírica, uma versão portuguesa dessa lógica. O filme aborda questões como o autoritarismo, o colonialismo, o fanatismo e o governo dos idiotas.

3. Os Saltimbancos Trapalhões, de J. B. Tanko (Brasil, 1981)

Crédito: Embrafilmes

 

Esse é considerado o melhor filme da equipe de comédia Os Trapalhões formada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Se passando num circo, essa adaptação do clássico italiano (com músicas de Chico Buarque) pode parecer uma comédia despretensiosa, mas trata de temas polêmicos.

Feito em pleno processo de abertura política, há uma forte crítica à Ditadura Militar e à sociedade brasileira nessa obra. Tendo fortes cenas de rebeliões de trabalhadores contra o dono do circo, a versão dos Trapalhões foi uma democratização, através do cinema, do enredo dos Saltimbancos, que trata de união e exploração.

Outro detalhe que não passa despercebido: atrás dos trambiques do dono do circo, as cenas não mostram clássicas lonas que cobrem o picadeiro, mas sim uma bandeira do Brasil.

4. A Vida é Bela, de Roberto Benigni (Itália, 1997)

Crédito: Wikimedia Commons

 

O filme conta a história de Guido, um judeu italiano que constitui sua família junto com Dora na Toscana, bem na época em que o nazi fascismo ascende na Europa. Boa parte do filme ocorre nas praças e vielas da cidade, mas a partir de um momento, Guido e seu filho, Giosué são levados para um campo de concentração.

Mesmo assim, o filme não deixa de ser uma hilariante comédia: para enganar o filho e preservar sua infância, o personagem de Benigni faz de tudo para que a criança imagine que eles estão numa competição de férias, que vale um tanque de guerra.

Benigni mistura genialidade com carisma nessa importante tentativa de repensar a cinematografia sobre a Segunda Guerra, tratando um tema como o Holocausto de maneira aberta e sincera, sem ser desrespeitoso.

5. La Vaquilla, de Luís Garcia-Berlanga (Espanha, 1985)

Crédito: In-Cine Compañía Industrial Cinematográfica

 

Ambientado na Guerra Civil Espanhola, essa é história de um grupo de soldados republicanos legalistas que se infiltram em uma Zona Rebelde (ou seja, franquista) numa missão que parece sem pé nem cabeça: roubar uma novilha que será usada em uma tourada.

O ponto é que os fascistas usariam o bovino numa cerimônia durante festivais religiosos na região. A missão desses republicanos tinha dois objetivos: conseguir comida para a resistência que estava em guerra com a Falange golpista e o de acabar com a festa e descredibilizar os franquistas.

Entre os temas discutidos nessa comédia, os que mais se destacam são: o trabalho em equipe da resistência, o poder dos símbolos, a igualdade entre os espanhóis e a toxidade do discurso exclusivista de Franco.


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