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5 medidas que foram usadas para prevenir a Gripe Espanhola

Diversas medidas foram eficientes para a redução da curva de contágio — e são usadas até os dias atuais para situações pandêmicas

Wallacy Ferrari Publicado em 02/09/2020, às 15h02

Enfermaria carioca de 1918 com infectados pela gripe
Enfermaria carioca de 1918 com infectados pela gripe - Divulgação/Biblioteca Nacional

No final da Primeira Guerra Mundial, a gripe espanhola registrou sua primeira vítima, em maio de 1918, porém, os esforços para prevenir duplicaram após a disseminação rápida da doença em todas as idades e classes sociais. Com isso, seu plano de contingência marcou a história da medicina e é usado, até os dias atuais, para elaborar novos caminhos em ocasiões epidêmicas e pandêmicas.

Confira 5 medidas que foram usadas para prevenir a Gripe Espanhola.


1. Isolamento necessário

Com a não interrupção de atividades cotidianas em decorrência da guerra, o contágio de combatentes e fabricantes de equipamentos e suprimentos destinados a tropas — munições, comida e proteção — resultou em uma rápida expansão da doença. Prevendo os riscos a vida em sociedade, o cientista Arthur Newsholme publicou um relatório com análises da doença pela Royal Society of Medicine.

Na ocasião, aproveitou para solicitar, por via de um “memorando para uso público”, a permanência das pessoas em suas residências caso estivessem doentes, de maneira que evitassem grandes reuniões. A recomendação não alcançou a população e foi ignorada pelo governo do Reino Unido até a comprovação da necessidade de evitar a disseminação.


2. Desconstrução de fake news

A necessidade de evitar notícias falsas é decorrente desde a época da gripe espanhola; quando a doença começava a ser de conhecimento mundial, em novembro de 1918, o jornal News of the World chegou a publicar informações inconclusivas e posteriormente recusadas pela comunidade científica.

Polciais observam vítima da Gripe Espanhola / Crédito: Biblioteca Nacional

 

O tabloide chegou a aconselhar a lavagem interna do nariz com água e sabão sempre ao acordar e dormir, além de forçar o espirro ao chegar e ao sair de casa, sempre acompanhado de uma respiração profunda. Visto que as informações iniciais apontavam que os transportes públicos eram um dos principais meios de contaminação, a publicação orientou caminhadas e, curiosamente, o consumo de mingau. Com as constatações técnicas, o jornal se retratou.


3. Sem órgão regulamentador

Exemplos de desorganização também foram vistos pelo mundo; nos Estados Unidos, as decisões sobre as quarentenas ficaram sob responsabilidade de cada uns dos estados, que impuseram os isolamentos da maneira que achavam válidos. Na grande maioria das regiões menos populosas, a rotina teve pouca mudança, porém, a locomoção e disseminação interna rendeu uma taxa de mortalidade maior em estados mais populosos.

A Organização Mundial da Saúde, responsável por coordenar esforços internacionais de prevenção e tratamento contra enfermidades, ainda não havia sido fundada quando o surto iniciou ou atingiu todos os continentes, existindo apenas em 1948.


4. Proteção necessária

Ainda nos Estados Unidos, alguns estados chegaram a impor o uso obrigatório de máscaras faciais contra a gripe espanhola. A crise financeira, no entanto, não permitia que as máscaras fossem adquiridas com facilidade, resultando na aquisição, produção e distribuição em massa do adereço em alguns pontos de cidades.

Fila para distribuição de máscaras em São Francisco / Crédito: California State Library

 

Nova York, por exemplo, já havia sofrido com uma campanha que durou quase 20 anos contra a tuberculose. Esperando o pior, solicitou rigidez nas medidas protetivas, se preparando mais do que boa parte das cidades estadunidenses. O resultado foi uma taxa de mortalidade exemplar em relação aos municípios e estados vizinhos.


5. Fechamento de estabelecimentos

Se por um lado o governo da megalópole nova-iorquina recomendou o máximo de medidas protetivas e o mínimo de locomoção de seus cidadãos, por outro, as medidas desagradaram os grandes empresários responsáveis por estabelecimentos de entretenimento, lazer e consumo de serviços.

O comissário da Saúde da cidade chegou a ser pressionado para orientar a abertura dos comércios, como cinemas, ginásios e arenas, alegando que as atividades ao ar livre eram benéficas para manter a saúde física e mental da população, mantendo a salubridade dos cidadãos. Mesmo assim, a abertura só ocorreu após a diminuição da curva de contágio, de maneira gradativa.


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