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A condição rara de Bayezid Hossain, o 'Benjamim Button' de Bangladesh

Hossain tenta lidar com os preconceitos que sofre em razão de sua aparência

Giovanna de Matteo Publicado em 15/11/2020, às 10h00

Bayezid Hossain sofre de uma condição extremamente rara
Bayezid Hossain sofre de uma condição extremamente rara - Divulgação/Vídeo/Mirror

No ano de 2016, em Bangladesh, a história de um menino que tem a aparência semelhante a de um idoso, viralizou ao redor do mundo. Bayezid Hossain nasceu com uma condição rara que faz com que seu corpo envelheça oito vezes mais rápido que o normal, o que os médicos chamaram de progéria.

A saga de Bayezid lembra a narrativa do filme 'O Curioso Caso de Benjamin Button', lançado em 2008. Na produção, estrelada pelo astro Brad Pitt, Benjamin é um homem que nasce na idade adulta e se torna jovem enquanto os anos passam. Todavia, diferente do filme, a vida do jovem Hossain é marcada por imensas dificuldades.

A criança tem um rosto inchado, olhos aprofundados, uma pele flácida e marcada por rugas. Além disso, ele sofre com dentes fracos e quebradiços, contudo, a pior parte não é em razão de sua aparência, e sim de saúde: ele sente dores fortes em suas articulações e dificuldade para urinar.

Com características únicas ele também precisa lidar com olhares maldosos e atitudes preconceituosas das pessoas de sua comunidade. As crianças costumam ter medo dele, o que fez com que ele parasse de ir para a escola em razão do bullying que sofria.

A condição

A progéria é uma doença muito difícil de lidar. Os pacientes costumam ter expectativas de vida muito pequenas. A causa da morte na maioria das vezes são ataques cardíacos ou derrames, que acontecem geralmente aos 13 anos de idade. Além dessa síndrome, Bayezid também tem uma doença chamada cutis laxa, o que faz com que a sua a pele fique elástica, "solta em dobras".

Hossain ao lado da mãe / Crédito - Divulgação/Vídeo/Mirror

 

Sua mãe, Tripti Khatun, se surpreende com a inteligência de seu filho, mas diz que é muito penoso saber que ele tem uma aparência tão incomum que faz com que ele sofra diversas consequências físicas, além das dificuldades sociais.

"Bayezid só aprendeu a andar aos três anos, mas tinha uma dentição completa aos três meses. Seu crescimento físico é completamente anormal, mas mentalmente, ele tem uma conversa maravilhosa, muito atento e é muito intuitivo para sua idade", explicou Tripti ao Mirror, em 2016. “Ele não se parece com as outras crianças. Ele parece um velho. Como mãe pela primeira vez, não posso suportar a dor de ver meu filho assim", acrescenta ela.

Quando ele nasceu em 2012, ela e seu marido Lovelu Hossain ficaram chocados com o bebê. Os médicos da maternidade do governo também não sabiam o que fazer, e nem como diagnosticá-lo e tratá-lo​​.

"Fiquei apavorado ao vê-lo quando ele nasceu. Ele era apenas carne e ossos. Ele parecia um alienígena e foi doloroso para mim", contou a mãe ao veículo. "Os médicos não tinham ideia do que fazer, eles disseram que nunca tinham visto um bebê assim. Eles nos avisaram que não havia nada que pudessem fazer."

Quando voltaram para a sua residência, a notícia de que seu filho não era como outras crianças se espalhou rapidamente, e todos os vizinhos quiseram presenciar o jovem. Mas parece que todo alvoroço não passou de curiosidade, e a comunidade local não deu apoio para a família.

As pessoas pareciam não gostar da presença de Bayezid, e fofocavam sobre sua síndrome dizendo que o casal, que são primos de 1° grau, teria "pagado o preço" pelo relacionamento familiar. Porém, com o tempo as pessoas aceitaram a criança, e lhe deram o apelido de "velho". 

Os anos passaram e Bayezid se desenvolveu assustadoramente rápido, não só o corpo, como a sua personalidade também se distingue das outras crianças de sua aldeia. "Ele é muito teimoso e sabe o que quer, e fica muito impaciente. Mas ele é brincalhão, sua mente é muito afiada e ele está sempre conversando", disse sua mãe. 

Ele costuma brincar normalmente e gosta de praticar atividades infantis como jogar futebol, desenhar, e até mesmo quebrar seus próprios brinquedos para depois consertá-los.

Ele já passou em diversos médicos e curandeiros, o que custou muito caro ao bolso do pai, que trabalha como operário. Mas infelizmente nenhum deles achou uma solução para seu problema. "Já estivemos em hospitais, santuários, faquires, xamãs - quem quer que tenha sugerido o que quer que seja", contou Lovelu Hossain, "no entanto, sua situação continua a mesma e ele provavelmente está piorando a cada dia. Meu filho não é um bebê normal e é trágico para qualquer pai saber que seu filho não sobreviverá por muito tempo."

Apesar de tudo, ele garante que sente muito orgulho do filho: "Ele é extremamente inteligente em comparação com outras crianças de sua idade. Seu relacionamento com os primos é muito amigável e divertido... Ele entende a sua condição, mas não gosta de falar sobre isso. Ele só chora quando se sente estranho".

Confira imagens de Hossain. 


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