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"Uma cortesã, eu admito. Uma espiã, jamais": Há 103 anos, Mata Hari era fuzilada

A jovem passou a vida dançando para príncipes e tendo amantes tão ricos quanto, contudo, na Primeira Guerra uma série de reviravoltas e mal-entendidos acabaram levando-a ser fuzilada

Ingredi Brunato Publicado em 15/10/2020, às 00h00

Mata Hari em uma foto colorizada artificialmente
Mata Hari em uma foto colorizada artificialmente - Divulgação/ Klimbim

Mata Hari ganhou a vida como dançarina de ritmos orientais que eram então um grande alvo do interesse europeu, por serem considerados “exóticos”. Ficou conhecida por seus muitos amantes, e pela fama de cortesã - uma prostituta de luxo, o que ela confirmaria, inclusive, quando recebeu uma acusação muito mais grave. 

“Uma cortesã, eu admito. Uma espiã, jamais!”, disse a dançarina tentando se defender de um tribunal francês que a acusava de espionar para os alemães em meio à Primeira Guerra Mundial.

Seu destino, todavia, já estava decidido. Em 15 de outubro de 1917, após uma trajetória de vida repleta de reviravoltas e concluída com um mal-entendido fatal, ela foi morta por um pelotão de fuzilamento. 

Fotografia de Mata Hari. Crédito: Wikimedia Commons

 

A saga 

Embora fosse conhecida por danças indonésias e trajes indianos, a dançarina burlesca tinha, na verdade, nascido na Holanda, com o nome de Margaretha Geertruida Zelle McLeod. Ela era parte de uma família muito rica, mas não por muito tempo. Isso porque quando tinha 13 anos, os negócios quebraram, o que também levou à separação de seus pais. 

Após a morte da mãe, Margaretha precisou ir para a casa dos tios, configurando uma juventude conturbada. Ela parecia então ter um futuro muito diferente pela frente: seus estudos eram direcionados para que se tornasse uma professora de maternal. 

O casamento da jovem, que ocorreu quando ela tinha apenas 19 anos, mudaria os rumos de sua vida. Ela se casou com um capitão vinte anos mais velho, Rudolph McLeod, que trabalhava na Companhia das Índias Orientais, com quem teve dois filhos. Foi com ele que Margaretha se mudou para a Indonésia, e onde conheceu as danças locais pelas quais se apaixonaria. 

O matrimônio acabou não dando certo: as traições do capitão, alcoolismo e a morte de um de seus filhos abalou a união entre os dois. Foi então que ela decidiu voltar para a Europa, onde acabou afinal se tornando dançarina de danças orientais, e fez sucesso imediato. 

Fotografia colorizada de Mata Hari em seus trajes de dança. Crédito: Kimblim 

 

Ela adotou o nome artístico Mata Hari, uma expressão malaia (uma das línguas faladas na Indonésia) que significa “luz do dia”. A holandesa dançou para príncipes e aristocratas, e teve amantes tão ricos quanto. Após o início da Primeira Guerra Mundial, todavia, tudo mudou. O que antes era visto como “espírito livre” se tornou promiscuidade, e a partir daí a vida da dançarina burlesca foi ladeira abaixo. 

Espionagem 

Mata Hari foi acusada e morta como espiã, no entanto, não é tão simples entender se ela realmente praticou espionagem. A resposta é sim e não. Tudo começou com uma história inventada pela mesma em entrevista a uma revista, em que a dançarina disse que era de Berlim, Alemanha. 

Era uma época de paranoia com espiões, e uma população exigindo condenações que provassem a eficácia do governo, o que criou diversos bodes expiatórios. Foi assim que uma simples dançarina e cortesã acabou na lista de suspeitos de espionagem do serviço secreto britânico. 

Após mais de um ano sendo seguida por oficiais, mas que evidentemente não encontraram nenhum comportamento suspeito, a holandesa recebeu uma oferta de espionagem em troca de dinheiro - o que ela precisava naquele momento. A proposta foi feita, na verdade, pelo próprio governo francês, aliado da Inglaterra. 

Foi assim que Mata Hari acabou se aproximando de um militar alemão, contudo, sem muito sucesso. Ele percebeu as intenções da espiã amadora, e apenas deu informações que eram falsas ou ultrapassadas. Mais tarde, o próprio a contratou como espiã, contudo, a dançarina não teria cumprido sua parte no contrato, pegando o dinheiro e indo embora. 

A desgraça

Por isso o governo alemão decidiu se vingar, criando uma mensagem codificada referindo-se à dançarina como uma agente dupla. O código usado, contudo, era um que os alemães sabiam que os franceses já haviam decodificado. Ou seja, era algo que eles fizeram questão que chegasse às autoridades inimigas, para incriminar a holandesa. 

E, infelizmente para Mata Hari, o truque funcionou. Um detalhe obscuro é que o fato do código usado pelos alemães ser antigo era conhecido pelo capitão francês Georges Ladoux, que, no entanto, preferiu manter a informação para si. As inconsistências do caso também passaram batido para o júri, e a holandesa acabou condenada à morte por fuzilamento. 

Segundo o historiador Philippe Collas, no livro Mata Hari - Sua Verdadeira História, ela teria sido “vítima de um erro judiciário”. “Mata Hari é culpada porque era imoral. Uma mulher liberada, um símbolo sexual, uma mulher livre”, concluiu ele.


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