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Albert Dekker: o bizarro óbito que destruiu a imagem de um ator sério de Hollywood

Considerado um homem respeitado no meio artístico, as condições do local onde seu corpo foi encontrado surpreendeu a comunidade cinematográfica

Wallacy Ferrari Publicado em 18/05/2020, às 13h00

O ator em retrato fotográfico
O ator em retrato fotográfico - Wikimedia Commons

Estrelando mais de 110 obras em sua filmografia, Thomas Albert Ecke Van Dekker tornou-se mundialmente conhecido apenas como Albert Decker na TV e no cinema. Estrelando produções ao lado de John Wayne, Clark Gable e Marlene Dietrich, o ator soube equilibrar a dramatização com o humor, sendo uma das referências de Hollywood entre as décadas de 1930 e 1960.

Além da versatilidade que lhe rendeu papéis premiados — como o doutor Alex Thorkel em Dr. Cyclops e o mentor criminoso em The Killers — Albert também realizou apresentações na Broadway durante a década de 1960. Aproveitando sua imagem polida como ator em papéis que externavam responsabilidade e moralidade, sua atuação saiu das telonas na década de 1940.

Além de ter ganho um assento na Assembléia do Estado da Califónia, Albert fez uso de sua projeção para propagar as ideias democratas, sendo um crítico do senador Joseph McCarthy e de seu chamado McCarthismo, um dos propulsores do uso de fake news como tática de difamação. Dekker compôs a Assembléia até 1946, quando entregou o cargo.

O ator em produções cinematográficas / Crédito: Wikimedia Commons

 

A construção da admiração

Além da carreira sólida, sua imagem pública em relação a sua vida pessoal edificava ainda mais a construção de perfeição do ator. Casou-se com a atriz Esther Guerini antes mesmo da fama e se manteve casado por mais de 24 anos, sem escândalos ou traições relatadas. Além da fama de bom marido, construiu a fama de bom pai.

Teve dois filhos, John e Benjamin, que constantemente acompanhavam o pai em eventos, além da pequena Jan, a primeira filha do casal. Com as crianças, o ator compareceu em gravações, entrevistas e atividades cotidianas. O apoio ao paizão se tornou mais intenso em abril de 1957.

John, na época com 16 anos, desenvolvia um silenciador para o rifle calibre 22 que havia ganho do pai, quando acidentalmente disparou contra o próprio corpo, falecendo. O caso, amplamente divulgado pela imprensa americana, fez Albert ser apoiado pela classe da indústria cinematográfica pela perda.

O ator, no filme Dr. Cyclops, de 1940 / Crédito: Divulgação

 

Morte grotesca

Em 1968, Dekker acabava de concluir as filmagens de The Wild Bunch quando deixou de ser visto por pessoas próximas em Los Angeles. Na época noivo da modelo Geraldine Saunders, não atendia nem mesmo a companheira, que desconfiou de sua reação. Assim como outros amigos, colocou uma correspondência por baixo de sua porta, aguardando alguma resposta, sem sucesso.

No dia 5 de maio, ela convenceu o gerente do prédio a abrir a porta à força para verificar de Dekker ainda estava lá ou havia viajado. Quando conseguiu entrar, ambos encontraram o ator em uma cena bizarra; o homem estava morto, aos 62 anos, em roupas em sua banheira, com uma mordaça de sex-shop na boca, um cachecol colorido nos olhos e com as mãos algemadas.

Além dos itens bizarros, um cinto de couro prendia seu pescoço na banheira, o asfixiando até a morte. Seus tornozelos estavam amarrados por uma corda e seu corpo estava repleto de desenhos feitos com um batom; um sol em volta do mamilo, uma vagina no abdômen e a palavra “chicote” em suas bochechas, além de outros palavrões obscenos espalhados pelos membros.

Apesar da suspeita de assassinato, a polícia local e o médico legista confirmaram que se tratou de uma asfixia auto-erótica acidental, com o ator induzindo a interrupção da circulação para alcançar o orgasmo, mas morrendo pela impossibilidade de se soltar.


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