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Albert Einstein: O desequilíbrio entre a vida pessoal e profissional do gênio

O físico até tentou levar uma vida balanceada, mas por vezes acabou sendo completamente tomado por seus estudos

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 14/05/2022, às 09h00

Imagem colorizada de Albert Einstein
Imagem colorizada de Albert Einstein - Getty Images

Albert Einstein foi responsável pela articulação de uma série de artigos científicos que revolucionaram o campo da Física, consagrando-se como um dos mais impactantes cientistas de todos os tempos. 

Seu sucesso profissional, todavia, que o colocou nos livros de História, veio aos custos da vida pessoal. Alguns exemplos dessa negligência vieram na forma de sua distância em relação ao filho a partir de certo momento de sua criação, e ainda do descaso com a própria aparência e com necessidades básicas, como alimentação. 

Início promissor 

Einstein sempre foi muito dedicado à sua produção acadêmica. No início da vida adulta, todavia, era capaz de balancear as diferentes esferas de sua existência de forma admirável, conforme informações do livro "The Private Albert Einstein" (Ou "A Vida Privada de Albert Einstein" em português), que não possui versão brasileira. 

Em 1905, o físico, que tinha 26 anos, era casado, possuía emprego fixo e dois filhos pequenos, mas parecia conseguir dar conta de tudo.

Ele podia trabalhar um dia inteiro em apenas duas ou três horas. No resto do dia, desenvolvia suas próprias ideias", relatou um amigo do cientista, Peter Bucky, de acordo com um trecho da obra.

Além das questões de física e matemática, Einstein ainda arranjava tempo para tocar violino em um quarteto de cordas, e treinar sua habilidade no instrumento quando estava em casa.

Suas tarefas da paternidade tampouco eram deixadas de lado, segundo descrito pelo filhoHans Albert.

Quando minha mãe estava ocupada em casa, meu pai deixava seu trabalho de lado e cuidava de nós por horas. Lembro-me dele contando histórias e tocando violino com frequência", comentou ele durante uma entrevista repercutida por uma matéria de 2020 da BBC.

Os malabarismos de Einstein, contudo, não durariam para sempre: quando suas descobertas passaram a ganhar popularidade, ele começou direcionar muito mais tempo e energia para a carreira acadêmica. 

"Ele estava com a impressão de que a família estava gastando muito do seu tempo e que ele tinha o dever de se concentrar totalmente em seu trabalho", afirmou Hans a respeito do ano de 1913. 

Albert Einstein em fotografia colorizada / Crédito: Getty Images

Foi neste mesmo período, aliás, que o casamento de Einstein com a primeira esposa, Mileva Maric, foi por água abaixo. 

Prioridade clara 

Em 1915, o físico já havia feito algumas das maiores contribuições de sua trajetória científica, contudo o esforço acumulado de anos anteriores o levara ao esgotamento, e o ritmo de trabalho de outrora já não podia ser mantido. 

"Meus sonhos mais ousados ​​se tornaram realidade. Eu estou feliz, mas totalmente quebrado", desabafou Einstein em uma carta para um amigo, um documento também repercutido pela BBC. 

Se dependesse do cientista, ele esquecia até mesmo de fazer suas refeições. Para sua sorte, sua segunda esposa,Elsa, não se importava em cuidar destas áreas mais básicas da vida do marido, permitindo que a cabeça dele se mantivesse focada nas engrenagens do Universo.

Albert Einstein e Elsa / Crédito: Wikimedia Commons

A aparência do físico, por sua vez, se manteve relativamente constante durante as muitas etapas de sua trajetória pessoal e profissional: a vaidade nunca foi o ponto forte de Einstein, que era conhecido pelos cabelos despenteados e pela frequente ausência de meias, de acordo com informações do livro "Einstein: Sua vida, seu universo", de 2007. 

O cientista trabalhou de forma incessante em suas teorias até sua morte, em 1955, causada por um aneurisma.