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Ameaças, perseguições e amor proibido: a conturbada intimidade de Oscar Wilde

A trajetória do escritor, apaixonado por um homem mais novo, foi marcada pelo preconceito da sociedade inglesa do século 19

Vanessa Centamori Publicado em 08/07/2020, às 13h23

Oscar Wilde com Lord Alfred
Oscar Wilde com Lord Alfred - Domínio Público

O escritor Oscar Wilde era um homem casado, mas nutria um romance extraconjugal tão avassalador quanto impossível. Bissexual, o autor estava apaixonado por Lord Alfred, porém acabou sendo alvo de grande perseguição na sociedade inglesa do século 19.  

Wilde nutriu um casamento oficial, por 9 anos, com a autora irlandesa Constance Lloyd, com quem teve dois filhos. Todavia, conforme a união com a mulher se enfraquecia, ele conheceu, em junho de 1891, aquele que seria o grande amor de sua vida.

Lord Alfred, chamado carinhosamente de "Bosie", era um poeta jovem de 21 anos, enquanto que Wild tinha 37 anos. Viria a ser o seu muso, o gênio, a razão de seu delírio, e até possível inspiração para uma das obras mais icônicas de Wilde — Alfred seria o próprio Dorian Gray do autor.

Paixão à primeira vista 

O escritor conheceu seu amado por meio do primo, Lionel Johnson, que acabou escrevendo uma obra influenciada pela história de amor de Wilde com Lord Alfred. Ela se chama The Green Carnation, e foi publicada em 1894. 

No entanto, o casal secreto tentava manter sigilo, principalmente porque o pai de Alfred, o marquês de Queensberry, não aprovava a união. A figura paterna foi assim um grande empecilho para o amor dos dois. Ele falava mal do parceiro do filho e ameaçava espancar donos de estabelecimentos em que a dupla apaixonada frequentasse. 

Oscar Wilde /Crédito: Wikimedia Commons 

 

Quanto à esposa de Wilde, ela também era um obstáculo. O poeta, para contorná-la, passou a negar a fazer sexo com a mulher. Justificou que a abstinência sexual ocorria devido aos sintomas da sífilis que ele contraíra na juventude. 

Enquanto isso, o poeta se apaixonava cada vez mais pelos cachos loiros e pelas feições do parceiro. Trocou com ele cartas intensas, que mostram que os dois discutiam e logo se reconciliavam. Em uma delas, Oscar Wilde escreve: "estou feliz em saber que somos amigos novamente, e que nosso amor passou pela sombra e pela luz do afastamento e da tristeza e saiu coroado de rosas". 

Oscar Wilde e Lord Alfred /Crédito: Domínio Público 

 

Impotente e odiado 

O casamento de Wilde com Constance acabou quando ela o acusou de ser "frígido", "impotente" e de ter "má-formação genital". Enquanto isso, o marquês de Queensberry pressionava Lord Alfred para deixar de lado o poeta irlandês — cortou até a mesada do rapaz e enviou ao dramaturgo famoso várias cartas ofensivas. 

Durante a estreia de A Importância de Ser Prudente, Queensberry também esteve presente, com o objetivo de causar grande caos. Deixou de presente a Wilde um irônico buquê de tulipas e cenouras fálicas. O filho de Queensberry tentou convencer o parceiro a processar o pai pela aquela perseguição. 

Wilde recebeu um cartão de Queensberry que o acusava de sodomia, então decidiu entrar na justiça contra o pai do namorado. Enquanto isso, em 1895, o escritor estava estreando obras-primas: as peças Um Marido Ideal e A Importância de Ser Prudente.

Por isso, o julgamento do famoso autor foi alvo da imprensa sensacionalista da época. Ele acabou se tornando réu no lugar do Marquês. O inimigo alegou que Wilde era sodomita. Como resultado, em maio de 1895, o escritor foi condenado a dois anos de trabalhos forçados.

Ele até poderia, mas se recusou a viajar para a França, onde a justiça da Inglaterra não o alcançaria. Seu amado Bosie, por outro lado, fugiu do país para não testemunhar. Além disso, o namorado tinha prometido que pagaria os custos do processo, mas não o fez.

Como desabafo perante às atitudes do Lord Alfred, o escritor escreveu uma carta de 55 mil palavras, publicada sob o título De Profundis. No documento, ele apresenta Bosie como um poeta medíocre e mimado. "Nossa desgraçada e lamentabilíssima amizade acabou para mim na ruína e na vergonha pública", registrou Oscar Wilde, de coração partido. 

O escritor Oscar Wilde /Crédito: Wikimedia Commons 

 

Em 19 de maio de 1897, finalmente terminaram os trabalhos forçados do dramaturgo irlandês. Ele se mudou para Paris e adotou o nome ilusório de Sebastian Melmoth. A partir de então, a desilusão com Lord Alfred foi grande tema de suas últimas obras.

Wilde morreu em 30 de novembro de 1900, aos 46 anos, devido à uma meningite, agravada pelo alcoolismo e a sífilis. Bosie, por outro lado, se converteu ao catolicismo e abjurou a homossexualidade, agindo de modo homofóbico, a favor da perseguição a homens gays.

Viajou para os Estados Unidos com o objetivo de "casar por dinheiro com uma moça americana que o tivesse em superabundância". Falhou nessa tarefa e voltou para a Inglaterra. Lá, namorou Olive Custance, com quem se casou em 1902 e se divorciou dez anos depois, já que ela o traía abertamente. 


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