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O amor centenário de Jonathan: Animal mais velho do mundo seria homossexual

Jonathan é uma tartaruga de 188 anos que tem vivido com seu parceiro desde 1991

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 11/09/2021, às 10h00

Fotografia de Jonathan
Fotografia de Jonathan - Divulgação / Facebook/ Arquivo Pessoal

Jonathan é uma tartaruga gigante que já foi notícia ao redor do mundo mais de uma vez no decorrer de sua vida. O principal motivo disto, é claro, é quão longa tem sido ela.

O réptil comemorou o aniversário de 188 anos em 2020 e prossegue firme e forte. Apesar de a velhice ter lhe custado o olfato e a visão (esta por conta de uma catarata), sua audição continua impecável, por exemplo, e sua saúde de forma geral é boa.  

Ele vive na ilha de Santa Helena, um território britânico ultramarino localizado no Atlântico Sul. Jonathan foi enviado de presente ao local em 1882, junto com outras duas tartarugas. 

Existe, inclusive, uma fotografia dele em preto e branco datada de 1886, que é uma das principais pistas que ajudaram a determinar sua idade exata, segundo repercutido por uma matéria de 2017 da Folha de São Paulo. 

Fotografia citada de Jonathan  (à esquerda) em 1886 / Crédito: Domínio Público via Wikimedia Commons

 

Relação próxima

Outro fato bem conhecido sobre o réptil centenário é que, desde 1991, passa seus dias junto com Frederica, sua amada parceira, que tem 150 anos de idade. Na época em que foram apresentados, ela irritava-se com facilidade na presença de outros animais, e a nova companhia tinha o objetivo de acalmá-la. 

O par desenvolveu uma bela relação desde então: eles fazem as refeições juntos, dormem no mesmo lugar e já foram avistados acasalando diversas vezes — basicamente, eles tem o comportamento esperado para um casal de tartarugas.

Em 2017, todavia, os cuidadores dos animais tiveram uma surpresa ao descobrirem que Frederica era, na verdade, um macho. A revelação ocorreu quando o animal teve um ferimento no casco, e precisou ser atendido por um veterinário.

Tartarugas homossexuais?

Fotografia de Jonathan de perto / Crédito: Wikimedia Commons

 

"Jonathan veio vê-la e não saiu do lado dela durante todo o tratamento da sua companheira", relatou o governo de Santa Helena em um comunicado oficial à imprensa na época. Naquele ponto, eles ainda não haviam ficado sabendo da notícia. 

O fato, embora inesperado, ajudou a explicar porque a dupla nunca tinha conseguido gerar filhotes, a despeito de suas muitas tentativas ao longo das décadas.

Se o casal de tartarugas já era querido por quem acompanhava as notícias a respeito de Jonathan antes, devido à sua proximidade inabalável, depois que veio a público a atualização a respeito do sexo de "Frederica", a dupla passou a ser citada por muitos em meio à pautas da comunidade LGBTQ+.

Um desses assuntos, justamente, era o casamento entre pessoas de mesmo sexo, que não era permitido na ilha de Santa Helena até o ano de 2017, e até hoje não pode ser realizado em certas partes do mundo. 

O par de animais, contudo, acabou acendendo o debate a nível nacional no território, que possui cerca de 4.500 habitantes, e conscientizando muitos com seu aparente exemplo de amor homossexual em outra espécie que não a humana. 

"Temíamos uma reação por parte dos homofóbicos, mas a maior parte da população se mostrou a favor da medida. Não podemos e nem devemos discriminar as pessoas e temos que nos esforçar para garantir a igualdade a todos", afirmou Christine Scipio-O’Dean, uma das dos parlamentares que era a favor da medida, segundo divulgado pelo site Vipado.