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Atração de circo nos primeiros meses de vida: A cruel saga de Annie Jones, a Mulher Barbada

Apresentada em espetáculos insólitos como uma "aberração", Jones sofreu até os dias finais

Caio Tortamano Publicado em 04/05/2020, às 18h51

Annie Jones, a Mulher Barbada
Annie Jones, a Mulher Barbada - Wikimedia Commons

A figura das mulheres barbadas como atrações circenses são comuns até nos dias atuais, e devem muito a sua popularidade a figuras como Annie Jones, uma das "atrações" mais bem sucedidas da história de todos os tempos. Todavia, sua vida pessoal também foi marcada pela melancolia. 

Annie nasceu em 1865, Virginia, nos Estados Unidos. Quando saiu da barriga de sua mãe, as pessoas perceberam que o bebê tinha pelo no queixo. Intrigados com a situação, acabaram assustando os seus pais. A reação inicial dos familiares foi uma só: espanto. No entanto, depois de um tempo, perceberam que poderiam usar da excentricidade de sua filha para ganhar dinheiro.

Com menos de um ano de idade, os pais de Annie a levaram até o famoso showman P. T. Barnum, famoso por ser dono de um excêntrico circo. De imediato, ele percebeu que a garotinha poderia ser a nova galinha dos ovos de ouro.

Como consequência, Jones logo alcançou um espaço de prestígio dentre as atrações de Barnum; ela era uma estrela do show business antes mesmo de saber andar. O empresário fez questão de firmar contrato com os pais da menina, oferecendo um acordo com uma duração de três anos, que resultaria em 150 dólares por semana. Assim, aceitaram. Mas era só o inicio do pesadelo da pobre Annie.

Apesar de seu contrato inicial ter sido de somente três anos, Jones passou muito mais tempo com Barnum, e seus apelidos foram mudando ao longo dos anos, passando de Bebê Esaú para Senhora Esaú e então o imortal Mulher Barbada.

Annie Jones / Crédito: Divulgação

 

A intenção era de que sua apresentação fosse impactante, então os produtores do show, e principalmente Barnum, focaram no contraste que sua figura feminina deveria fazer com o fato de ela ser completamente barbada. Vestindo roupas bem femininas, e tocando o bandolim, as apresentações de Annie eram as mais marcantes da época. Como consequência, além de ser exposta em um verdadeiro show de horrores, a garota também acabou sendo alvo de um lunático. 

Sequestro

Ainda quando era apenas uma criança, um pseudocientista sequestrou Annie; seu paradeiro era desconhecido por algumas semanas. Barnum ajudou as autoridades no começo das investigações. Isso porque uma de suas principais fontes de renda corria risco de desaparecer para sempre. Depois de um tempo, Jones foi encontrada sendo exibida em uma feira de uma igreja. No entanto, seus pais teriam mais dores de cabeça.

Ao ser abordado por autoridades, o sequestrador afirmou que a criança era dele. Assim,  o caso foi levado para o tribunal. Antes de testemunhar, o juiz da seção separou Annie do resto das pessoas. O resultado foi imediato; quando a garota entrou no local e viu os pais no recinto, correu direto para eles. Após isso, ficou fácil declarar o homem culpado por sequestro e fazer com que a menina retornasse para sua família. Lá estava ela de volta ao circo.

Até hoje não se tem certeza sobre o que teria causado a anomalia de Annie, provavelmente ela sofria de hirsutismo, uma condição que, ao afetar mulheres, as deixam suscetíveis com o crescimento de pelos em partes e quantidade iguais aos de homens.

Apesar de toda a fama, Annie não teve uma vida longa, ou muito menos feliz. A Mulher Barbada casou com um homem chamado Richard Elliot, que também trabalhava para  Barnum.

O problema é que a estrela do circo tinha apenas 15 anos na época, enquanto Elliot já era um homem formado — não existe registro específico que revele sua verdadeira idade. Assim, os pais dela não aceitaram a controversa união.

Apesar da desaprovação, o casamento entre eles durou 15 anos; até que decidiram se separar em 1895. Não muito tempo depois, Annie se casou pela segunda vez com um homem chamado William Donovan.

Com ele, pela primeira vez, Jones deixou o circo de Barnum, e passou a viajar com o marido realizando performances em casal por um tempo enquanto estavam na Europa. Mas parecia que a vida amorosa da mulher estava destinada ao fracasso.

A união durou cerca de 4 anos: Donovan faleceu de maneira inesperada. A morte e a solidão obrigaram a mulher a voltar para Nova York,  o único lugar que conseguiu chamar de casa durante a sua vida era O Maior Show da Terra, o espetáculo de P. T. Barnum.

P. T. Barnum é tido como um dos maiores empresários de seu tempo / Crédito: Wikimedia Commons

 

O freak show, ou literalmente Show de Aberrações, foi como as pessoas enquadraram o trabalho de Annie Jones até o fim de sua vida. Ela pessoalmente lutou muito para que essa denominação fosse eliminada. Infelizmente, não sobreviveu tempo suficiente para qualquer mudança em sua realidade. Com 37 anos, a mulher foi mais uma das vítimas da tuberculose. 


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