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Beleza, escândalo e mistério: a polêmica múmia da Garota Egtved

Encontrados em meados de 1921, os restos da jovem datam da Idade do Bronze e indicam que ela morreu entre os 18 e 19 anos

Pamela Malva Publicado em 03/06/2020, às 07h00 - Atualizado às 08h00

Roupas reproduzidas da Garota Egtved e seu caixão, exposto em museu
Roupas reproduzidas da Garota Egtved e seu caixão, exposto em museu - Wikimedia Commons

Em meados de 1921, a área de Egtved, na península de Jutlândia, atual Dinamarca, estava sendo explorada por expedições arqueológicas. As escavações buscavam por artefatos antigos quando encontraram um caixão bastante inusitado.

Abaixo do solo, um tronco de carvalho bem preservado escondia segredos que os especialistas presentes mal esperavam encontrar. Todos souberam que aquele achado teria de ser aberto com as devidas precauções.

O caixão, assim, foi selado e transportado até o Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhague. Na instituição, sua tampa foi finalmente erguida, revelando uma múmia da Idade do Bronze que traria diversas polêmicas ao ser exibida em exposições.

O interior do caixão da Garota Egtved / Crédito: Divulgação

 

Caixa de surpresas

Imediatamente após abrirem o caixão, cientistas perceberam que, em vida, a múmia era uma jovem mulher. Assim, a descoberta recebeu o nome de Garota Egtved e seus restos foram submetidos à diversos testes.

Logo nas primeiras análises, ficou claro que a jovem morreu com uma idade entre 16 e 18 anos. Dona de cabelos loiros bem preservados, a garota tinha cerca de 1,60 metros de altura e apresentava unhas bem aparadas.

O próximo passo foi tentar descobrir o período no qual a jovem havia sido enterrada. Pesquisas mais minuciosas indicaram que a garota morreu em meados de 1370 a.C., há cerca de 3,4 mil anos.

As roupas da Garota Egtved reproduzidas e o interior de seu caixão, respectivamente / Crédito: Divulgação

 

Dentro do tronco

No geral, a Garota Egtved teve seus dentes, fios de cabelo, unhas, cérebro e um pouco de pele preservados com o tempo. Junto de seus restos, suas roupas resistiram ao envelhecimento e apresentaram indícios de lã e couro.

Envolvida por um grande pedaço de pele de boi, a jovem usava um corpete com mangas na altura do cotovelo e uma saia curta, que deixava sua cintura à mostra. Aos seus pés, os restos de uma criança cremada, morta aos 5 ou 6 anos, jaziam no caixão.

A Garota Egtved também contava com pulseiras de bronze e um cinto de lã com uma grande fivela decorada com espirais. Na altura de sua cabeça, uma pequena caixa de bétula guardava um furador, alfinetes de bronze e uma rede para cabelos.

A jovem ainda teria sido enterrada com alimentos e bebidas, em uma espécie de ritual para o pós-vida. Em sua tumba, um balde de cerveja de trigo, mel, murta e mamões papaia foram encontrados pela expedição.

Mistérios e polêmicas

Logo que a Garota Egtved foi exposta no Museu Nacional da Dinamarca, suas roupas causaram um grande alarde. Para a sociedade conservadora de 1920, a saia curta da jovem era um escândalo — apesar de ser o exemplo mais bem preservado das roupas do norte da Europa na Idade do Bronze.

Com roupas apropriadas ou não, os cientistas quiseram descobrir o que teria mantido determinadas partes do corpo da jovem nórdica em ótimo estado de preservação. Declarou-se, então, que os responsáveis eram as condições de pântanos ácidos do solo — característica bastante comum no local onde ela foi encontrada.

Em seguida, testes e análises foram feitos em seus tecidos, a fim de descobrir sua origem. Dessa forma, cientistas anunciaram que a Garota Egtved teria nascido na região da Floresta Negra da Alemanha e, mais tarde, se mudado para a Dinamarca.

Museu da Garota Egtved, construíd no local onde ela foi encontrada, na Dinamarca / Crédito: Wikimedia Commons

 

Heranças de uma jovem do passado

Com o objetivo de manter a memória da garota viva, o Centro Experimental Lejre reconstruiu as roupas usadas pela jovem. Junto do caixão, as peças estão em exposição no Museu Nacional da Dinamarca.

Anos mais tarde, os pesquisadores Thomsen e Andreasen fizeram mais alguns testes com os restos da Garota Egtved. A partir dos resultados, alegaram que ela nasceu e cresceu na área de Egtved e que não teria viajado para longe em nenhum momento.

Em 2019, Sophie Bergerbrant sugeriu, após estudar os isótopos da jovem, que ela seria original da Suécia ou Noruega. Estudos mais recentes chefiados por Karin Margarita Frei, no entanto, indicam que ela viajou a Egtved um mês antes de morrer.


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