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A carta sofrida da madrasta Dona Amélia para o enteado, Dom Pedro II

A segunda esposa de Pedro I tinha uma admiração gigantesca pelos filhos do marido — especialmente pelo garoto, que havia se tornado imperador

Caio Tortamano Publicado em 02/06/2020, às 16h45

Amélia e o imperador Pedro II, com 12 anos
Amélia e o imperador Pedro II, com 12 anos - Divulgação

Dom Pedro I estava no Brasil quando o trono de Portugal, do outro lado do Atlântico, ficou vago. O português não teve nenhuma dúvida ao abandonar o país e deixar seu filho, Pedro II, como o imperador da nação, então com apenas 5 anos de idade. Ao lado de sua segunda esposa, Amélia, madrasta do jovem imperador, Dom Pedro I voltou para Portugal e disputou o trono com seu irmão Miguel.

Por mais que não fosse sua mãe, Amélia tinha uma admiração incrível pelo pequeno garoto, e também por suas outras duas irmãs mais velhas. Em uma carta emocionante, a então imperatriz consorte escreveu para seu enteado:

“Meu filho do coração e meu imperador, Adeus, menino querido, delícia de minha alma, alegria dos meus olhos, filho que meu coração tinha adotado. Adeus para sempre.” 

Ela ainda continua: “És o espetáculo mais tocante que a terra pode oferecer! Quanta grandeza e quanta fraqueza a humanidade encerra, representadas por ti, criança idolatrada: uma coroa, um trono e um berço! A púrpura ainda não serve senão para estofo, e tu, que comandas exércitos e reges um Império, ainda careces de todos os desvelos e carinhos de mãe. (...) Dorme, criança querida, enquanto nós, teu pai e tua mãe de adoção, partimos para o exílio, sem esperança de nunca mais te vermos... senão em sonhos. Adeus, órfão-imperador, vítima de tua grandeza antes que a saibas conhecer. Toma este beijo, e este... e este último. Adeus para sempre, adeus!”.

Solidão

Essa perda fora significativa na vida de Pedro II, que estava sem figuras paternais consanguíneas para cuidar dele, ainda mais em uma idade tão nova. Isso somente piorou 4 anos depois, quando descobriu, novamente por meio de sua amada e carinhosa madrasta, que seu pai, o imperador de Portugal, havia morrido.

Pedro I em seu leito de morte / Crédito: Wikimedia Commons

 

A informação, conforme foi relatado pela filha de uma das aias do Palácio de São Cristóvão, foi dada a Pedro e suas irmãs Januária, de 12 anos, e Francisca, de 10 anos, ao mesmo tempo por criados diferentes. Tendo antes perdido seu pai metaforicamente pela distância e importância do cargo que ocupava, agora Pedro se despedia de vez de seu filho, que deveria continuar com o legado da família imperial.

Pedro I era um incentivador para seu filho, estimulava-o a estudar, sempre dando conselhos valorosos para a vida política que Pedro II viria a ter — e, na realidade, já estava tendo mesmo que fosse apenas um garoto.

Reencontro

Em toda a carta da madrasta fica clara a admiração de Amélia por Pedro. Além disso, ela afirma em tom extremamente melancólico que nunca mais se encontrará com o tão amado filho de adoção. Isso, no futuro, acabou se tornando mentira, já que Pedro iria até Lisboa em 1871 para visitá-la.

O encontro, como o imperador viria a relatar em seus diários, teria sido extramente curioso e marcante diante dos sentimentos paralelos que causou ao homem. Chegando ao Palácio das Janelas Verdes, em Portugal, a felicidade de encontrar sua querida madrasta depois de 40 anos se constrastou com a visão que ele teve dela, “tão idosa e doente”. 

De fato, Amélia não estava nas suas plenas faculdades físicas, e nem com a saúde plena, tanto que não tardaria a falecer, em 1873, com 60 anos.


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