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Cidade 'fantasma': Craco, um passado medieval abandonado na Itália

Deserto há quase 50 anos, o local fica estrategicamente no topo de um penhasco rural

Wallacy Ferrari Publicado em 10/04/2022, às 13h38

Imagem panorâmica da cidade de Craco
Imagem panorâmica da cidade de Craco - Wikimedia Commons / Idéfix

A Itália é conhecida mundialmente por sua cultura marcante na gastronomia, artes e arquitetura, além de marcos políticos históricos na Europa. Contudo, dentro de seu território, diversos locais chamam atenção por características únicas, como Craco.

Localizada no sul da Itália, Craco é uma cidade abandonada há mais de quarenta anos que impressiona por sua atmosfera única; a sensação de que a cidade foi abandonada 'da noite pro dia' toma a mente quando visualizamos as construções antigas com janelas escuras que deixam claro a decadência da cidade.

Craco já foi um centro monástico, uma cidade feudal e um centro de educação. O impressionante município, que teve uma universidade, igreja, castelo e praças, cativa visitantes com sua paisagem dramática, chegando a ser usada como cenário de filmes, em ‘Saving Grace’, ‘007 - Quantum of Solace’ e ‘A Paixão de Cristo’.

Conhecendo Craco

A antiga vila medieval foi construída estrategicamente no topo de uma colina, a cerca de 40 quilômetros do interior do Golfo do Taranto, localizada na base da "bota" do mapa.

A arquitetura da cidade é perfeitamente planejada para se adequar a paisagem do afloramento rochoso onde se encontra, uma localização muito propensa a terremotos.

Antes conhecida como "Montedoro", Craco foi fundada por gregos que haviam se mudado para o interior da costa de Basilicata, por volta de 540 d.C., como informa o portal Socientífica.

Tudo indica que o assentamento da cidade ocorreu durante a Idade do Ferro, pois o primeiro registro escrito data de 1060 d.C., quando Arnaldo, bispo de Tricarico que era proprietário daquele terreno, o nomeou de "GRACHIUM", que significa "do pequeno campo arado".

Imagem de drone registra visão aérea de Craco / Crédito: Wikimedia Commons / Maurizio Moro5153

Contudo, foi Eberto quem estabeleceu o primeiro controle feudal da cidade, entre os anos de 1154 e 1168. Em 1179, o controle foi de Roberto di Pietrapertos. Entre 1276 e 1293, o respectivo governador, Frederico II, foi responsável pela construção da universidade e da icônica Torre do Castelo.

Em 1277, o município contava com aproximadamente 450 habitantes, crescendo para cerca de 2.550 em 1561 e permanecendo em torno de 1.500 durante os séculos seguintes. Em 1630 foi construído o Mosteiro de São Pedro, que foi responsável por estabelecer uma ordem monástica permanente na cidade e ajudou a impulsionar a economia da comunidade agrícola.

Abandono histórico

Contudo, uma praga atingiu a cidade de Craco em 1656 e reduziu drasticamente a população matando centenas de habitantes. Entre 1892 e 1922, a agricultura da cidade atingiu condições precárias e causou uma crise de fome grave que resultou na migração de mais de 1.300 pessoas para a América do Norte.

Craco foi construída num terreno  instável, em cima de solos rochosos e argila, o que resultou em diversos deslizamentos de terras durante vários séculos, datados entre 1600 e 1933.

Mesmo em situação precária, tendo de sobreviver a desafios, pragas e ladrões, ainda havia muitos "crachesi" (moradores da cidade) que se recusavam a abandonar a antiga vila medieval.

As condições do solo pioraram a partir dos anos 1950 e, com a interferência de terremotos, a cidade sucumbiu a um desastre natural após grandes deslizamentos de terras nos anos 1970.

Em ruínas, os edifícios de Craco ainda contam com adereços e características originais que refletem a vida que lá existiu. Atualmente, só é possível conhecer as construções milenares da cidade de através de uma visita guiada.

O local também recebe visitas de equipes de filmagem e em 2010, ela foi adicionada à Lista de Relojoaria pelo World Monuments Fund.


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