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Como Roosevelt e Vargas decidiram os rumos do Brasil na Segunda Guerra em Natal

A capital do Rio Grande do Norte foi o caminho para a vitória

Coluna - Ricardo Lobato Publicado em 03/10/2020, às 19h57

Roosevelt (à esqu.) e Vargas (à dir.)
Roosevelt (à esqu.) e Vargas (à dir.) - Wikimedia Commons

O mês de janeiro de 1943 marcou uma reviravolta no rumo da Segunda Guerra Mundial. Enquanto até aquele momento parecia que nada poderia parar a máquina de guerra germânica, com a derrota em Stalingrado e a capitulação iminente das forças do Eixo na campanha do Norte da África, os ventos da vitória começaram a soprar para os Aliados.

Registro da batalha de Stalingrado // Crédito: Wikimedia Commons

 

Para garantir que nada ficasse em seu caminho, ingleses e americanos precisavam de um país que até aquele momento se mantinha afastado do conflito que se desenrolava do outro lado do Atlântico, mas que se provaria essencial para o esforço de guerra: o Brasil.

Desde meados de 1942, quando os Estados Unidos decidiram que derrotar a Alemanha devia ser a prioridade na guerra, o Brasil passou a figurar entre seus interesses. Com a necessidade de assegurarem um “trampolim para a vitória” no teatro de operações africano – garantindo assim o controle do Mediterrâneo e mantendo os preciosos campos de petróleo do Oriente Médio longe do Eixo – o Brasil estava no centro do esforço de guerra Aliado.

Natal na mira dos Aliados

Neste cenário, Natal, no Rio Grande do Norte, destacava-se como o coração da travessia do Atlântico rumo ao continente africano. Foi justamente ali que, entre 28 e 29 de janeiro de 1943, ocorreu um dos mais emblemáticos capítulos da História brasileira: a Conferência de Natal, também conhecida como Conferência do Potengi.

Ao retornar da Conferência de Casablanca – onde fora decidido quais seriam os próximos passos da guerra –, o presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, parou em Natal para se encontrar com seu homólogo brasileiro, Getúlio Vargas.

Mais que visitar as instalações militares americanas na cidade, o encontro foi a oportunidade de os dois chefes de estado decidirem o rumo das relações entre os dois países.

Foi a bordo do destróier USS Humboldt, ancorado no Rio Potengi, que banha a capital potiguar – daí um dos nomes da conferência – que foi materializada a aliança entre as duas nações. O evento formalizou o comprometimento brasileiro com o esforço de guerra Aliado.

O país contribuiria com o patrulhamento do Atlântico Sul e proveria suprimentos de borracha amazônica e demais insumos necessários para o material bélico dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.

Em retribuição, os EUA garantiriam os recursos para a consolidação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), o que permitiria o desenvolvimento industrial brasileiro.

A agenda dos dignitários incluiu visitas à Base Aérea de Parnamirim e ao Porto de Natal. Ao final, foi divulgada uma declaração conjunta, em que a “segurança das Américas” era a prioridade.

Todavia, o ponto mais importante da conferência foi o apelo do presidente norte-americano para que o Brasil contribuísse mais ativamente com as ações de combate dos Aliados.

O Brasil enviar tropas além-mar, que de início parecia ser uma missão impossível, se materializou com a criação da Força Expedicionária Brasileira. Em 1944, a FEB teve seu batismo de fogo na Itália, e, em 1945, os Aliados venceram a guerra. Em Natal, fora aberto o caminho para a vitória.


Ricardo Lobato é Sociólogo e Mestre em economia pela UNB, Oficial da Reserva do Exército brasileiro e Consultor-chefe de Política e estratégia da Equibrium – Consultoria, Assessoria e Pesquisa.


**Esse texto não reflete necessariamente a opinião da Aventuras na História


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