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De possessão à arma biológica: as absurdas teorias conspiratorias sobre a morte de Elisa Lam, segundo documentário

A internet adora um bom mistério, assim como adora procurar soluções - nem sempre, todavia, elas fazem muito sentido

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 21/02/2021, às 10h00

Foto de Elisa Lam
Foto de Elisa Lam - Divulgação/ Arquivo Pessoal

No início desse mês, a plataforma da Netflix lançou a série documental “Cena do Crime - Mistério e Morte no Hotel Cecil”, que aborda a sombria história do Hotel Cecil, localizado na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, assim como a triste morte de Elisa Lam, uma estudante canadense de 21 anos. 

A jovem estava em uma viagem de férias quando desapareceu sem deixar rastros, iniciando uma longa investigação policial que chamou atenção tanto da mídia quanto da internet.

Tudo começou quando os detetives que estavam atrás da garota, após chegarem em um beco sem saída, decidiram compartilhar a última filmagem que a mostrava com vida e pedir a ajuda do público. 

Era o famoso vídeo de Elisa Lam no elevador do Hotel Cecil, onde estava hospedada. Nele, a estudante exibe um comportamento enigmático, fazendo movimentos que parecem pouco naturais e parecendo esconder-se no canto do local em dado momento. Era impossível assistir e não se perguntar o que de fato estava acontecendo ali. 

Fotografias de Elisa Lam / Crédito: Divulgação 

 

Logo, uma multidão de internautas acabou engajando-se em tentar resolver aquele mistério, que apenas se tornou mais inusitado quando o corpo de Elisa foi encontrado na caixa d’água do hotel, nu e em estado avançado de decomposição. 

Especulações foram feitas e evidências foram buscadas em ritmo frenético, com as pessoas ficando mais e mais convencidas de suas próprias versões da história —  e foi nesse ambiente que certas teorias conspiratórias bizarras começaram a correr soltas. Muitas dessas teorias foram abordadas na nova produção da Netflix.

1. Assassinato ritualístico

Uma característica para lá de estranha identificada pelos internautas foram os paralelos entre o caso de Lam e o filme “Água Escura”, lançado em 2005 (a morte da jovem foi em 2013), em que uma menina - embora mais nova que a canadense - também é encontrada morta na caixa d’água de um hotel, fazendo com que a água usada pelas pessoas hospedadas nele adquira uma coloração escura. 

Vale dizer que foi inclusive por conta das reclamações referentes à cor e ao gosto incomuns que a água exibia no Hotel Cecil é que o corpo da estudante foi encontrado.  Outra semelhança é que a menina do filme usa uma jaqueta vermelha, uma peça de roupa também utilizada por Elisa no seu último dia viva.

Para muitos, isso foi uma “evidência” de que a jovem havia sido vítima de um assassino que tentava recriar filmes. Essa teoria acabou juntando-se, no caso, à ideia de que Lam foi jogada no tanque por outra pessoa, possivelmente alguém do próprio hotel, uma vez que o estabelecimento tinha má fama, já tendo abrigado serial killers como Richard Ramirez no passado. 

Fotografia de fachada de Hotel Cecil na época que estava aberto / Crédito: Divulgação 

 

No resultado da autópsia da jovem, todavia, sua morte foi classificada como acidental, descartando a presença de outra pessoa, o que o documentário Cena do Crime explora melhor. 

2. Arma Biológica 

A região ao redor do Hotel Cecil era conhecida por abrigar muitos moradores de rua - em quantidade maior do que em qualquer outro ponto de Los Angeles, e também havia ocorrido um surto de tuberculose no local pouco tempo depois do desaparecimento de Elisa chegar às notícias. 

Essa teoria conspiratória defende que a garota de 21 anos era uma agente do governo enviada para espalhar a doença entre os sem-teto da região, em uma operação de eliminação dessas pessoas. Outro fato que é considerado uma “evidência” nessa versão do ocorrido é que o teste para diagnosticar tuberculose se chama “Lam Elisa”. 

Assim, os internautas defensores da ideia de que a canadense era uma arma biológica acreditavam que ela teria sido morta por “saber demais”. 

3. Atividades paranormais 

O Hotel Cecil já foi palco de inúmeras mortes: por overdose, suicídio e mesmo assassinato, além de, como comentado anteriormente, ter hospedado o assassino em série Richard Ramirez em dado momento de sua história. 

Esses acontecimentos agourentos levaram muitos a acreditarem que havia alguma “aura maligna” cercando o local. Dentro desse pensamento, a morte de Elisa seria apenas mais uma prova de que existiam entidades paranormais causando tragédias dentro do estabelecimento. 

Nessa teoria, a jovem de 21 anos poderia estar possuída por um espírito na filmagem dela no elevador, ou então tentando fugir de um. 


Para saber mais sobre como a série documental Cena do Crime abordou teorias conspiratórias, confira essa matéria.