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A misteriosa — e controversa — morte de Elisa Lam

A jovem foi encontrada nua um tanque d’água no famoso Cecil Hotel em 2013 — até hoje ninguém sabe como ele morreu e como seu corpo chegou lá

Fabio Previdelli Publicado em 02/11/2019, às 08h00

Elisa Lam
Elisa Lam - Montagem Facebook

Até hoje, ninguém sabe exatamente como Elisa Lam morreu. Os únicos fatos, irrefutáveis, são de que a estudante canadense de 21 anos foi vista pela última vez no Hotel Cecil, em Los Angeles, em 31 de janeiro de 2013.

Uma das únicas pistas que se tem é um bizarro — e assustador — registo gravado das câmeras de segurança de um elevador, que capturou os momentos finais da jovem antes de desaparecer.

Fachada do Cecil Hotel / Crédito: Getty Imagens

 

Desde que o corpo foi encontrado nu dentro de do tanque de água do hotel, em 19 de fevereiro do mesmo ano, sempre surgiram mais perguntas e teorias do que respostas. Embora o médico legista tenha declarado que Elisa morreu por afogamento acidental, estranhos detalhes alimentam especulações sobre o caso. 

Em 26 de janeiro de 2013, Elisa Lam chegou a Los Angeles. Ela acabara de desembarcar de um trem que partiu de San Diego em direção à Santa Cruz — a rota era parte de uma viagem que a jovem faria sozinha pela Costa Oeste. O retiro deveria ser um momento de lazer e descanso para a estudante da Universidade da Colúmbia Britânica em Vancouver.

Apesar do receio da família em deixar a jovem viajar sozinha, ela acabou convencendo seus pais. Se comprometeu que todos os dias ligaria para informar que estava tudo bem. A promessa fez com que os responsáveis sentissem que algo de errado havia acontecido depois que a jovem não deu notícias no dia 31 de janeiro, a data marcava o fim da hospedagem de Elisa no Cecil. O fato fez seus familiares contatarem o Departamento de Polícia local, mas a jovem não foi encontrada nas instalações.

Assim, a polícia logo divulgou as imagens internas das câmeras de segurança do Hotel em seu site. E foi assim que inúmeras teorias surgiram. A gravação mostra Elisa entrando em um elevador e agindo de maneira bizarra.

Ela aperta todos os botões do piso e logo em seguida coloca a cabeça para fora do elevador, como se estivesse vigiando ou preocupada com alguém que a perseguia. Em seguida, ela parece se esconder no canto da porta e repete a sentinela antes de sair completamente com o corpo do elevador.

Algumas cenas captadas pela câmera de segurança do elevador do Hotel / Crédito: Montagem YouTube

 

Os últimos minutos do vídeo mostra a garota parada do lado esquerdo da porta e gesticulando a mão de maneira aleatória. Poderia até parecer uma conversa normal, no entanto, ninguém mais aparece na gravação. Não há ninguém com ela. Obviamente, o vídeo viralizou e teorias começaram a surgir.

O cadáver

Duas semanas depois do ocorrido, seu cadáver foi encontrado graças as reclamações de alguns hóspedes. Muitos relataram que a água estava com baixa pressão e de que havia um líquido escuro saindo da torneira. Apesar de o fluído dissipar em poucos segundos, a água estava com um gosto estranho.

Com isso, uma equipe de manutenção foi checar a caixa d’água, localizada no terraço do local. Ao abrirem um dos tanques, eles encontraram o corpo de Elisa nu, flutuando e sem vida. Ninguém sabe como o cadáver de Lam — que estava boiando ao lado das roupas em que ela foi vista no vídeo — chegou ao local.

Uma das últimas pessoas que Elisa viu foi Katie Orphan, dona de uma loja próxima ao hotel chamada The Last Bookstore. Ela relatou que a jovem comprou livros e discos de música para sua família. “Parecia que ela tinha planos de voltar para casa, ela planejava dar presentes aos membros de sua família e se reencontrar com eles”.

O corpo de Elisa estava nu e boiando dentro de um tanque d'água do Hotel / Crédito: Getty Imagens

 

Quando os resultados da autópsia foram divulgados, os relatos só serviram para provocar mais perguntas dos que respostas. O relatório de toxicologia confirmou que Lam havia consumido vários medicamentos, provavelmente eram remédios para tratar de seu transtorno bipolar. Entretanto, não havia indicação de álcool ou substâncias ilícitas em seu corpo.

Amy Price — gerente do Hotel — declarou no tribunal que, inicialmente, Elisa havia se hospedado em um quarto compartilhado, como se fosse um hostel. Entretanto, colegas de quarto relataram que a jovem apresentava um “comportamento estranho”, o que a obrigou a mudar para um quarto individual.

Eloisa sofria de transtorno bipolar / Crédito: Reprodução Facebook

 

Mesmo que a jovem estivesse sofrendo psicose ou alucinações, nada explicaria  a sua morte. Aliás, até hoje o trajeto que ela, ou outra pessoa, fez para chegar ao terraço e, posteriormente, às caixas d’água, são um grande ponto de interrogação.

David e Yinna Lam entraram com um processo por morte por negligência contra o Cecil Hotel depois de alguns meses da descoberta da morte de sua filha. O advogado da família afirmou que o hotel tinha o dever de “inspecionar e procurar perigos no hotel que apresentassem um risco irracional de perigo para [Lam] e outros hóspedes”.

O Hotel lutou contra o processo e moveu uma ação para rejeitá-lo. O advogado do hotel argumentou de que eles não teriam motivos para pensar que alguém seria capaz de entrar em um de seus tanques de água.

Com base em declarações judiciais da equipe de manutenção do local, o argumento apresentado pelo hotel não é totalmente artificial. Santiago Lopez, que foi o primeiro a encontrar o corpo de Lam, descreveu detalhadamente quanto esforço ele teve que fazer para chegar ao local.

Para chegar lá, ela teria que: 1) subir a escada de incêndio. Apesar de haver três delas no hotel, ambas são na parte externa e ela teria que sair por uma janela. Além do mais, ninguém notou a presença dela por esse caminho; ou 2) passar por uma porta que dá acesso direto ao terraço, mas que, por motivos de segurança, ela fica constantemente trancada e um alarme sonoro é ativado quando alguém passa por ela.

O engenheiro-chefe do hotel, Pedro Tovar, deixou claro que seria praticamente impossível alguém acessar o telhado sem disparar o alarme. Somente funcionários sabem como desativá-lo corretamente. Se ele fosse acionado, um som chegaria até a recepção e a todos os dois andares superiores do hotel.

Bernard Diaz, 89 anos, morador do Cecil Hotel há 32 anos, fala à imprensa depois que o corpo de Elisa Lam foi encontrado / Crédito: Jay L. Clendenin / Los Angeles Times

 

Além do mais, uma vez que ela chegasse ao seu destino, ela teria que chegar à plataforma do tanque, subir uma escada de 3 metros, abrir uma tampa de 10 quilos, entrar no tanque e depois dar um jeito de fechar a tampa pelo lado de dentro.  O ato pareceria improvável para uma mulher que apresentava o estado físico e mental de Elisa.

O juiz Howard Halm, da Corte Superior de Los Angeles, decidiu que a morte de Elisa Lam era “imprevisível”, pois havia acontecido em uma área em que os hóspedes não tinham permissão de acesso. Então, a ação foi julgada improcedente.

O HISTÓRICO MACABRO DO CECIL HOTEL

O desaparecimento misterioso de Elisa Lam não foi o primeiro a acontecer no Cecil Hotel. De fato, o passado sórdido do edifício ganhou a reputação de ser uma das propriedades mais supostamente assombradas de Los Angeles.

Desde que ele abriu a suas portas em 1927, o Cecil Hotel já foi atormentado por 16 mortes não naturais diferentes e eventos paranormais inexplicáveis. Um dos eventos mais famosos associados ao local é o da atriz Elizabeth Short, em 1947. Conhecida como Dália Negra, ela teria sido vista bebendo no bar do hotel nos dias que antecederam sua morte.

Elizabeth Short foi vista bebendo no bar do hotel nos dias que antecederam sua morte / Crédito: Getty Imagens

 

O hotel também recebeu alguns dos assassinos mais famosos do país. Em 1985, Richard Ramirez, também conhecido como “Perseguidor da Noite”, ficou hospedado no hotel de 1984 a 1985. Conhecido por ser adepto do satanista, Richard foi condenado pelo assassinato de 13 pessoas. Já em 1991 foi a vez do serial killer Jack Unterweger, também conhecido como o Estrangulador de Viena, ter uma breve passagem pelo local.

Enquanto uma resposta para o mistério por trás da morte de Elisa Lam permanece incerta, a obsessão em torno desse mistério permanece na consciência pública desde então. O caso inspirou adaptações da cultura popular como um episódio de American Horror Story: Hotel, de Ryan Murphy.


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