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Desaparecida no mar há 208 anos: o eterno mistério de Theodosia Burr Alston

Após perder um filho, a mulher decidiu viajar para encontrar o pai recém-libertado da prisão, mas nunca chegou à terra firme

Pamela Malva Publicado em 02/08/2020, às 09h00

Gravura de Theodosia Burr Alston
Gravura de Theodosia Burr Alston - Wikimedia Commons

Viúva de seu primeiro marido, Theodosia Bartow já tinha cinco filhos quando se casou com Aaron Burr e, no ano seguinte, deu à luz Theodosia Burr Alston, em 1783. Nascida e criada em Nova York, a menina tinha apenas 11 anos quando sua mãe morreu.

Com seis crianças para cuidar, então, Aaron Burr ficou responsável pela criação dos filhos e decidiu tomar conta da educação deles por conta própria. Assim, ao lado dos irmãos, Theodosia estudou quatro línguas, além de música, dança e aritmética.

Dona de um rosto fino e alongado, a jovem era apaixonada pelo pai e tinha um verdadeiro dom para o universo artístico. Quando adulta, no entanto, ela simplesmente desapareceu durante uma viagem e nunca teve a chance de explorar suas técnicas.

Lista de problemas

Em meados de 1801, a sonhadora Theodosia, ou Theo, para os mais íntimos, casou-se com Joseph Alston, um figurão da Carolina do Sul. Dono de diversas terras, ele era o pretendente perfeito para uma família que sofria com problemas financeiros.

Embora um dos maiores interesses de Theo em seu marido fosse, de fato, relacionado à questões fiscais, ela acabou desenvolvendo reais sentimentos pelo homem. Assim, juntos, os dois tiveram um filho, em 1802.

Logo que o bebê nasceu, no entanto, uma onda de azar atingiu a família de Theo. De repente, seu marido estava doente e, acusado de traição, seu pai havia sido preso, em 1807. Para piorar, o herdeiro da mulher foi vítima da malária, morrendo aos dez anos.

Retrato de Theodosia Burr Alston / Crédito: Wikimedia Commons

 

Luto e angústia

Sentindo-se sozinha, Theo estava feliz pela recuperação do marido e pela libertação do pai, mas não era mais a mesma sem seu bebê. Ainda de luto, ela assistiu de camarote quando seu marido assumiu o cargo de governador da Carolina do Sul, em 1812.

Em pleno contexto de guerra, no entanto, Theo ainda queria visitar o pai, que havia sido absolvido. Ela buscava por uma forma de viajar, mas sequer poderia contar com a companhia do marido, que agora servia como chefe da milícia do estado.

Assim, em 31 de dezembro de 1812, Theodosia e Timothy Green, um velho amigo de Joseph, embarcaram no Patriot, uma escuna de Georgetown. Mal eles sabiam, contudo, que aquela seria a última viagem de suas vidas — que se tenha registros.

Aaron Burr e Joseph Alston, o pai e o marido de Theodosia, respectivamente / Crédito: Wikimedia Commons

 

Viagem turbulenta

Durante a Guerra de 1812, a escuna usada por Theo para chegar até o norte dos Estados Unidos servia como corsário militar. Dessa forma, quando a dama subiu no convés, ela sequer imaginava que diversas armas estavam escondidas dentro do barco.

Com uma viagem curta pela frente, Theodosia sabia que não demoraria muito até que ela estivesse no abraço terno do pai e, por isso, estava bastante ansiosa. Só que o encontro nunca aconteceu, porque o Patriot simplesmente desapareceu.

Theodosia e Timothy nunca chegaram à terra firme e, na Carolina do Sul, Joseph não teve quaisquer notícias de sua esposa ou da tripulação da escuna. Em pouco tempo, o caso misterioso chamou atenção dos Estados Unidos e diversos rumores surgiram.

O polêmico retrato de encontrado em um naufrágio da Guerra de 1812 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sem solução

Enquanto muitos acreditavam que o Patriot havia sido capturado por piratas, teorias mais românticas diziam que Theodosia teria sido recuperada por um nativo misterioso, que viu a vida da mulher se esvair lentamente. A verdade, todavia, nunca foi descoberta.

Aaron Burr nunca acreditou que a bela filha havia sido capturada, mas concordava com a teoria de que a jovem morrera em um naufrágio trágico. Nesse sentido, diversos estudos afirmam que o Patriot foi provavelmente destruído por uma tempestade no Cabo Hatteras, ocorrida no exato momento em que a embarcação estava no mar.

O médico William G. Pool, por sua vez, foi ainda mais além. Durante uma de suas consultas, ele encontrou o retrato de uma jovem muito parecida com Theodosia. De acordo com a antiga dona da obra, ela teria sido recuperada em um navio da Guerra de 1812 — a identidade da jovem retratada na peça, contudo, nunca foi definida.


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